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A pandemia vai revolucionar a paternidade? Não deixe a chance passar

Lia Bock

21/05/2020 04h00

(iStock)

Muito tem se falado sobre a maternidade durante a quarentena. Das mães se desdobrando para dar conta das tarefas de casa, dos filhos e do trabalho. Mas dos pais temos falado pouco. Claro que o correto seria falar de pai, mãe ou cuidadores como uma coisa só, já que os as crianças são de todos – assim como a louça e o banheiro pra lavar. 

Mas a gente bem sabe que nesse Brasil-de-meu-Deus a coisa não é bem assim. E dessa vez não estou falando das guerreiras mães solteiras, que dão conta do recado sozinhas (ou com a ajuda de outra mulheres). Estou falando das que tem um parceiro, mas daquele tipo que não coloca a mão na massa.

Às vezes, eles fazem a pose de provedor alfa e, mesmo que a mulher também trabalhe e colabore com a renda, ficam com o discurso frágil de que não sabem, não podem ou não conseguem fazer.  Noutras, são assumidamente folgados e acham até graça disso.

E agora eu pergunto: o pai aí do seu quadrado está fazendo a parte dele?

Porque apesar de toda a desgraça da pandemia, temos aqui uma oportunidade incrível para mudar o status desses caras. Afinal, se não for agora, quando eles vão entender a importância de saber mexer na máquina de lavar roupa (colocar no varal, tirar do varal, dobrar, passar e guardar), de fazer o almoço (planejar o timing certo, lavar as panelas e já adiantar o que vai ter pra janta) e de passar aspirador? 

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Ele não sabe nem como começa a limpar a casa? Tem dica no YouTube e, na dúvida, manda ver no desinfetante. Ele não sabe cozinhar? Livro de receita serve pra isso e o Google também. Não tem paciência pra fazer as atividades da escola com as crianças? Bem-vindo clube, se vira. Temos suco de maracujá ou Lexotan pra manter o equilíbrio. 

O importante é botar esses pais (que estão sempre se esquivando) pra trabalhar e, ao menos, tentar mudar aquele número aviltante que mostra que mesmo trabalhando fora, as mulheres dedicam em média 8 horas por semana a mais que os homens nas tarefas domésticas. Esse é o momento!

E já estamos vendo resultado. Sem opção, há muitos caras encarando o que a história se incumbiu de poupá-los. Mas, ainda vemos alguns sujeitos dando um jeitinho de passar sua parte na divisão das tarefas adiante. E aqui pesa o fato de que como raramente colocam a mão na massa, sentem dificuldade de entrar no carro em movimento, afinal, ninguém esperava a pandemia, fomos todos atropelados por ela.

Mas não tenham medo. Nem eles de pegar pra si o que lhes é de dever e nem nós de deixar que façam da maneira que conseguem. Sim, porque tratar o marido como incapaz ou incompetente doméstico pode até desmerecê-los socialmente, mas, no fundo acaba resultando exatamente no que ele quer: se ver livre dos afazeres da casa onde moram e dos filhos que puseram no mundo. 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Comentarista na CNN Brasil, a jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008 no site da revista "TPM", onde foi também editora-chefe. Passou por publicações como "Isto É", "Veja SP" e "TRIP". É autora dos livros "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro", ambos editados pela Companhia das Letras. É mãe de quatro filhos e pode ser encontrada no Instagram @liabock e no Twitter @euliabock

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre notícias, sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o que mais parecer importante ao universo feminino.

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