Lia Bock

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Socorro: os youtubers sequestraram as crianças! Como lidar?

Lia Bock

06/12/2017 08h00

                                                                                                                                                                                                                                                                            (Getty Images)

Mães e pais que não se desesperam com o tempo que os filhos passam diante das telas, têm a minha mais profunda inveja. Seja porque os filhos não ligam pra conexões e afins ou porque eles não ligam em verem os filhos enfurnados nos gadgets, invejo os dois.

Tem noites em que sonho que nos mudamos para uma casa sem internet. Juro. A quantidade de telas que uma casa tem hoje é impressionante, já perceberam? A maiorias dessas telas é uma janela aberta para o mundo. O que seria lindo e poético se dentre essas paisagens não tivessem penhascos e uma quantidade inacreditável de imbecilidades.

Tem dias em que pesquiso sobre a diferença de ter nascido num mundo hiper conectado e ser um nativo digital para tentar me convencer de que estou fazendo tempestade em copo d’água. Raramente me convenço. O que acontece invariavelmente é que sou “chata” e “maluca”, se não a mais chata e a mais maluca.

Eu pisco e tem uma tela ligada passando alguma coisa que não me parece nada instrutiva. Alguns especialistas dizem “acompanhe de perto. Assista junto” (que sacrifício). Outros recomendam a marcação rígida do tempo de uso (dá-lhe militarismo materno). Faço tudo. Consequência aqui em casa (aposentamos a palavra castigo) geralmente tem alguma tela envolvida.

Que saudades do tempo que assistíamos Nemo em looping.

Hoje a mais variada sorte de youtubers invade a minha casa com conceitos que não tenho certeza se quero aqui dentro. “Ele tem não sei quantos trilhões de seguidores, mãe. Se fosse ruim ninguém assistia”. Ô meu filho, dê cá um abraço que o mundo não é assim, não. Se não está de acordo com nossas crenças, posições políticas e ética não vamos trazer aqui pra dentro, ok? “Tá bom. Eu vejo quando for no fulaninho, os pais dele deixam.”

“Ah, mas você é liberal demais. Conversa muito. Com criança o negócio é proibir e pronto.” Gente, se proibir fosse a melhor saída o mundo já estava salvo. Porque o que tem de coisa proibida circulando alegremente por aí… Quando isso envolve wifi e Google, a proibição só traz gosto de quero mais.

As telas e a internet são como aquelas gosmas alienígenas que se esgueiram por qualquer fresta assustando famílias e deturpando projetos de adolescente cheios de si. (Tô dramática!)

E, mesmo ficando em cima, marcando duro e checando históricos às escondidas (quem nunca?), quando a gente vê aparece um assunto ou palavra novos inapropriados para a idade. De onde veio isso, criança? “Vi no vídeo do ciclaninho.” Baixa o general analógico: ciclaninho não está na nossa lista. Não é pra assistir, insisto como um bastião do bom comportamento, nadando rumo a tubarões milionários e cada vez mais atraentes.

Fora os jogos: dá pause porque está na hora de comer. “Jogo online não tem pause, mãe.” Caguei, então desliga essa merda ou eu tiro o cabo da tomada. “Falou dois palavrões. Tem que ter consequência, mãe.”

A vida é dura, senhoras e senhores.

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a publicar os textos sobre relacionamento que escrevia desde a adolescência em 2008, no site da revista TPM, onde se tornou redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. É autora do livro "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)". Já morou em Pirenópolis e em Londres. Nasceu em 1978 e é mãe de dois meninos.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.

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