Lia Bock

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Casais que não transam: precisamos falar sobre isso

Lia Bock

19/07/2018 04h00

(iStock)

Muita gente finge que esta categoria não existe e que “ah, a gente transa pouco, mas transa”. Mas a verdade é que está cheio de casal por aí que se perdeu do sexo e segue sendo um casal.

Geralmente o sexo vai rareando aos poucos, fruto da falta de vontade de um dos dois. O outro tenta, usa as famosas técnicas para “apimentar a relação”, se esforça na ginástica, gasta energia na corrida, força a barra… Mas, como existem poucas coisas piores do que alguém te repelindo sexualmente, a pessoa acaba broxando também, e o casal entra naquele modo “não fazemos, não falamos disso e fingimos que não tem problema nenhum”.

Os acomodados que me perdoem, mas tem problema, sim! Transar faz bem para o corpo, para a cabeça e para a saúde do casal. Trocar fluidos, se lamber e gozar faz com que nos sintonizemos no mesmo canal, reforça a parceria e conecta a dupla por algo que não é falado e muito menos ligado à rotina. Porque que estamos conectados pelos boletos e problemas do dia a dia não é segredo pra ninguém.

Mas, para os casais que não transam, o sexo vai sendo colocado em segundo plano e as desculpas começam a aparecer. “Somos uma família feliz e unida, é isso que importa”, “temos muita coisa em comum”, “nunca fui tão apegada em sexo, mesmo”, “transo fora de casa e está tudo certo”.

Por que será que é tão difícil botar a falta de tesão na mesa? (E vejam, não estou falando que “tem que transar” ou algo assim. Mas falar sobre o assunto me parece fundamental).

É difícil porque dói e porque nem sempre a resposta é fácil ou agradável. Pro terapeuta ou pra amiga a gente pode dizer: “tenho vontade de dar para todos os homens com quem cruzo na rua, menos pra ele”, mas vai falar isso pra pessoa que você ama. É complexo. Bem mais fácil empurrar pra baixo do tapete.

A Regina Navarro sempre diz que ainda é mais comum as mulheres serem a parte do casal que não quer transar. Mas eu já vi muito casamento acabar porque a mina precisa de mais (muito mais) e o cara não estava a fim. A verdade é que não importa da onde vem a falta de vontade. Ela é sempre incômoda. É aquele silêncio que atordoa mais que britadeira. É o vazio do vácuo, onde ninguém se move ou respira.

É triste. E reverter a situação nem sempre é tão simples como pregam os manuais. Existe muito mais entre nossa cabeça e nossa amada genitália do que imaginam os vibradores, Viagras e filmes pornôs. Fora o medo de descobrir que o problema não tem solução. Encarar a realidade de frente abre um leque de possibilidades que podem ser indigestas. Separação, amante, libido transformada em carinho, técnicas que não nos deixam confortáveis: pode aparecer de tudo.

Não existe motivo bobo que faça um casal abandonar o sexo. E não estou falando de fases, meses, em que trabalhamos muito ou estamos com um problema de saúde sério na família. Essas coisas acontecem, afetam nossa vida sexual e passam. Estou falando de gente que perde o sexo pelo caminho, que arruma uma desculpa depois da outra para não praticar esta maravilha da vida a dois.

Por isso, toda vez que você falar pra si mesmo: “a gente não transa, mas está tudo bem”, emende a pergunta: “a quem estou querendo enganar?”. Se tem uma coisa que não ajuda (nem pra um lado e nem para o outro, nunca) é não assumir o problema. É preciso encarar a questão de frente, com coragem. A vida é bem melhor com gozo, mas sinceridade também ajuda bastante.

 

 

 

 

 

 

 

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a publicar os textos sobre relacionamento que escrevia desde a adolescência em 2008, no site da revista TPM, onde se tornou redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. É autora do livro "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)". Já morou em Pirenópolis e em Londres. Nasceu em 1978 e é mãe de dois meninos.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.

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