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Você já ouviu falar nos solteiros monogâmicos?

Lia Bock

02/06/2020 04h00

(iStock)

Se tem uma vantagem em ser solteiro ou solteira na vida é não dever fidelidade a ninguém. Ser apenas leal aos nossos próprios princípios e fazer o que a gente bem entende dia sim, dia também. Pois é, foi lindo enquanto durou.

Porque isso foi até março de 2020, quando a pandemia de coronavírus se aboletou entre nós, nos trancou em casa e transformou qualquer troca de fluidos em potencial risco de vida. E, assim, o que era liberdade virou uma seca danada. O que era diversidade virou uma paranoia – e haja punheta e vibrador. 

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Pois agora, quando se começa a falar em uma possível abertura do isolamento e percebemos que ela não tem nada a ver com voltar pra vida que a gente tinha antes, os solteiros desse Brasilzão estão tendo que lidar com a dura realidade: vai demorar muito pra gente sair por aí numa beijação louca e acumulando parceiros e parceiras numa vida sexual diversificada.

Vai ser aquela coisa: quer ver seus pais? Quinze dias de reclusão. Aniversário da bisa? Mesma coisa. Irmã está grávida? Ixi, ferrou.

E foi assim que nessa lógica surgiram os solteiros fiéis. Essa nova categoria da humanidade que veio se contrapor aos casados desleais e fanfarrões em geral.

Solteiro monogâmico é aquele que tem medo de contrair o vírus ou porque é grupo de risco ou porque teme pelos seus, e assim precisa amarrar sua sexualidade num poste mesmo não amarrando o dia a dia e o coração. É aquele que não consegue viver sem sexo, mas também não quer brincar de roleta-russa com perdigotos desconhecidos.

Como vivem? Do que se alimentam? Pra onde vão esses seres resignados? No geral são pessoas que já entenderam que pra estar com a vida sexual em dia vai ser preciso muito mais do que álcool gel. Será necessário responsabilidade, ética e a aceitação (mesmo que na marra) de que melhor um passarinho na mão do que um porção voando.

Na prática, eles escolhem uma pessoa bacana com quem gostam de transar e fecham nessa parceria por tempo indeterminado – ou até a vacina chegar. Fazem ali um trato de respeito às normas sanitárias e cuidado mútuo e mandam bala no encontro semanal (quinzenal ou mensal). 

É totalmente seguro? Claro que não, mas com certeza é melhor do que girar a roleta e escolher uma pessoa a cada vez. E, claro, ser um solteiro monogâmico é antes de tudo ser honesto e jogar limpo com o parceiro ou parceira em questão. Acabou encontrando alguém fora do ciclo normal de mercado, farmácia, Rappi e vizinhos? É preciso avisar. E daí vale aquela medida dos 15 dias, ao infinito e além. 

Pensando pelo lado positivo e fazendo uma previsão para um futuro não muito longínquo, pode ser divertido brincar de casal um vez a cada quinze dias. E olha a dica quicando: encontra os pais na sexta, o cônjuge no sábado e assim respectivamente na rotatividade da quinzena. Mas aí não configura namoro? De forma alguma: é só botar no contrato que o fechamento é temporário e puramente sexual.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Comentarista na CNN Brasil, a jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008 no site da revista "TPM", onde foi também editora-chefe. Passou por publicações como "Isto É", "Veja SP" e "TRIP". É autora dos livros "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro", ambos editados pela Companhia das Letras. É mãe de quatro filhos e pode ser encontrada no Instagram @liabock e no Twitter @euliabock

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre notícias, sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o que mais parecer importante ao universo feminino.

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