Lia Bock http://liabock.blogosfera.uol.com.br Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo. Tue, 28 Jan 2020 07:00:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 A parte ruim da volta às aulas: os grupos de Whats voltando a bombar http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/28/a-parte-ruim-da-volta-as-aulas-os-grupos-de-whats-voltando-a-bombar/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/28/a-parte-ruim-da-volta-as-aulas-os-grupos-de-whats-voltando-a-bombar/#respond Tue, 28 Jan 2020 07:00:10 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=2168

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Esta semana as aulas voltam na maioria das escolas. Para uma legião de pais e mães, esse é um motivo pra comemorar. Para muitos, as férias são eternos 30 dias em que as aulas param, mas a vida continua. E realmente é um desafio cuidar, entreter, alimentar e cansar os pequenos enquanto temos texto pra fechar ou ponto pra bater. Toca organizar viagem com os avós, cinema com os tios, sorvete com os amigos que permanecem na cidade e planejar aquela viagem na alta temporada que sempre deixa um rastro de meses no cartão de crédito. 

Quem tem tempo, grana, disponibilidade de sobra e ama as férias escolares que me desculpe, mas Deus fez a volta às aulas para a gente tornar a respirar.

Só tem uma única coisinha que não é legal: a volta dos grupos de WhatsApp dos pais da classe. Gente, que bênção que é o silêncio do zap durante as férias, né? Nada contra a troca produtiva de informação dos pais, mas vamos combinar que bom senso não está muito em alta no mercado das mensagens instantâneas. Para quem tem muitos filhos então, a coisa se intensifica. 

Preciso confessar que a volta do zap da escola bombando não me causa nenhuma alegria. Podem me chamar de amarga, mas como já roubaram minha carteirinha de “boa mãe” há algum tempo, perdi o filtro.

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Desde que o grupo de Whats da escola virou o “Google da educação”, me pego pensando onde vamos parar. Nunca quis dar celular para as crianças e sei que minha filhas pequenas ainda demoram pra chegar nessa fase, mas sonho com o dia em que todos eles possam estabelecer sozinhos suas comunicações. 

Verdade que o uso dos grupos já passou por algumas metamorfoses desde sua criação há cerca de dez anos. Hoje já não vemos mais 50 mensagens de bom dia às 7h da manhã. Mas há questões que seguem conosco.

Muita gente ainda usa o grupo para fazer queixa da escola ou perguntas que deveriam ser direcionadas aos professores. Cada vez que eu leio “não gostei do jeito de conduziram tal história” tenho uma espécie de choque anafilático e me seguro para não responder “que tal você falar isso para a escola?”. Por que, meu Deus, as pessoas insistem em jogar as coisas no grupo antes de entrar no site ou passar a mão no telefone? De onde veio tamanha necessidade de compartilhar?

Muita gente fala com o grupo como se conversa com as inteligências artificiais dos gadgets: “Siri, que dia é hoje?”, “Alexa, quantos feriados tem este ano?”, “grupo de pais, que dia começam as aulas?”.

Precisamos lembrar que, muitas vezes, estamos falando de grupos onde estão 50 pessoas. Cada uma com suas dúvidas e demandas, cada uma com seus horários, ideologias e crenças. É por isso que sigo pregando o uso ultraparcimonioso do zap de pais. Um lugar onde o que parece senso comum para uns é aberração para outros, onde piadinhas de qualquer tipo podem ofender e, claro, discussões políticas costumam criar polêmicas e estresses que, infelizmente, podem atrapalhar as relações de nossos filhos.

Mas uma queixa que escutei recentemente mostra que não precisa de abaixo-assinado contra político para criar climão no zap. Alguns pais adquiriram o hábito de, toda vez que o filho está com um colega da classe, mandar fotos no grupo. A atitude, aparentemente inofensiva, gera ansiedade e disputa entre as crianças, que automaticamente começam a contar quantas vezes fulano foi na casa do beltrano e se perguntar “por que eu não fui”. Os próprios pais acabam ficando chateados e alimentando sentimentos controversos comuns na fase escolar, mas totalmente inadequados para os progenitores.

Tipo de problema que a gente não tinha antes desse excesso de socialização high tech. Tipo de problema que mostra que até as melhores das intenções ganham filtros enloquecedores no WhatsApp.

Feliz 2020 para o ano letivo e um axé bem cheio de bom senso para nossos grupos de pais da escola.

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A vida é mais fácil pra casais que transam todo dia http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/23/a-vida-e-mais-facil-pra-casais-que-transam-todo-dia/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/23/a-vida-e-mais-facil-pra-casais-que-transam-todo-dia/#respond Thu, 23 Jan 2020 07:00:03 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=2159

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Muito se fala sobre manter o fogo do casal ao longo dos anos. Formas de apimentar a relação, vibrador, filmes. Os mais variados tipos de casais fazem o que podem pra deixar a chama acesa. Mas, verdade seja dita, existem aqueles afortunados que transam todo dia sem muito esforço ou programação.

Vivo me perguntando do que são feitas essas parejas. Onde vivem? Do que se alimentam? Que newsletter assinam? 

Será que eles estão cientes das notícias? O que será que pensam sobre a fala do ministro Paulo Guedes em Davos? Será que assistiram ao “Roda Viva”? Será que eles pagam os boletos e fecham o mês no azul ou ignoram solenemente a bancarrota mensal?

Transar todo dia envolve não apenas manter a chama do casal acesa como ignorar todas as mazelas do mundo e, claro, não ter nenhum apego por seriados. Porque a maioria dos mortais vez ou outra troca o sexo por mais um episodiozinho, não é mesmo?

E se a gente colocar tudo isso na balança – os seriados (que são arrastados para se compartimentarem em 10 eternas temporadas), os desmandos do governo (em que cada dia é um flash e um factóide bizarro novo) e as contas da casa que parecem nunca ter fim –, já temos um saldo de alguns dias e noites bem ocupados e, inevitavelmente, sem sexo.

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Num dia é o stress do trabalho, que a gente queria mandar à merda, mas não pode, que nos desvia dos desejos da carne. No outro é a tensão do país polarizado que nos obriga a beber e, ops, nos leva diretamente ao dia seguinte. E assim a vida segue jogando o sexo para um amanhã que, muitas vezes, demora um bocado a chegar. Não é algo exatamente consciente, vai acontecendo – e, assim, nossos corpos ficam mais tensos, mais ariscos, mais tristes. Porque um sexinho gostoso é amor e alegria, né?

Tendo tudo isso em mente, me ocorre que a vida deve ser bem mais fácil para casais que transam todo dia. E não estou falando daqueles que estão no auge da paixão ou naqueles mágicos primeiros dois anos de encontro de almas. Estou falando de gente que está junto há tempos e segue praticando o rala e rola com uma frequência invejável. Ok, talvez não seja todo dia – mas vale a metáfora, da mesma forma que muita gente que diz por aí que transa uma vez por semana e na ponta da lápis não é bem assim. 

Transar muito envolve uma disposição física e uma liberdade mental que não são comuns em tempos de notícias instantâneas, redes sociais e inflação. Transar todo dia talvez envolva até uma certa alienação voluntária, que, hoje, me parece bem conveniente. E claro que não estou falando de viciados em sexo ou gente que pega todos os problemas e joga ali, na cama. Tô aqui no ramo das ideias elucubrando casais leves que transam pra sintonizar, curtir, desopilar. Transam demorado ou rapidinho, quando tem visita em casa ou filme bom na TV. Transam porque o mundo não importa tanto ou, se importa, já está na hora de desligar. Tô falando desses casais que colocam o universo no mute, esteja a lua cheia ou minguante. 

Acho que estou falando desses casais dos filmes, que só existem por aquelas duas horas e nada mais. Casais roteirizados pro cinema onde pode tudo e as crianças nunca choram na hora em que começam a se pegar. Talvez eu esteja falando de um casal em férias, numa ilha deserta onde não tem wifi.

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Hoje começa o BBB20: meus pêsames http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/21/hoje-comeca-o-bbb20-meus-pesames/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/21/hoje-comeca-o-bbb20-meus-pesames/#respond Tue, 21 Jan 2020 07:00:22 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=2144  

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É chegado aquele momento do ano em que um programa de televisão mobiliza a população. Toda terça (que, aliás, vira dia sagrado), um Fla x Flu domina o Twitter. Todo dia é dia de notícias vazias sobre os tais confinados na casa de mais um Big Brother Brasil. 

Verdade que nas últimas edições o programa trouxe à tona discussões importantes. Mas será mesmo que a gente precisa dele pra falar de assédio, política racial e outros assuntos tão fundamentais para a vida em sociedade? Convenhamos, há outras maneiras.

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Hoje, o Brasil se divide em dois: de um lado, os fãs do BBB e as discussões desse microcosmo transformadas em notícia nacional; do outro, a turma do “não aguento mais” e do “lá vem tudo de novo” – onde, não escondo, eu me incluo. 

Quando os sites começaram a noticiar a casa nova e especular sobre os participantes, já deu uma pontada no coração. Porque diferentemente dos outros programas de TV, o Big Brother não é algo restrito aos seus espectadores. Com a gigantesca cobertura da imprensa e a paixão (ou ódio) dos twitteiros, fica difícil tomar uma distância. O Big Brother entra em nossas vidas mesmo quando não é convidado, mesmo quando você não tem televisão ou gosto por realities

As “notícias” sobre o que acontece na casa piscam nas homes dos principais portais, disputando espaço com os acontecimentos no governo, a destruição causada pela chuva e outras manchetes que de fato podemos chamar de notícia. 

Há quem diga que o futebol também entra nesse time de factoides que nos tiram o foco do que realmente importa, mas pelo menos ele é constante, um circo sempre em movimento que gera empatia e envolvimento vitalício. 

O que me incomoda com o BBB é frivolidade. Nossa capacidade de pegar fogo com algo tão vazio e passageiro. Isso diz muito sobre nós. Fala sobre nosso gosto por mergulhos apaixonados na superficialidade e sobre a nossa dependência por adrenalina, mesmo que ela seja absolutamente artificial. E, claro, fala sobre a nossa necessidade de polarização, de criar um “nós contra eles” mesmo nas pequenas coisas. Sim, porque para os fãs de BBB o programa não é só torcida. Há uma necessidade (falsamente) vital de derrotar o outro, que é sempre tido como pior.

Pensando no momento atual do nosso país, em que agonizamos na necessidade de criação de pontes de diálogo e respeito, penso que o BBB é um baita desserviço. Ele nos joga justamente naquela vibe na qual só há extremos e nada que crie uma convergência. Nos leva para aquele lugar onde vale o “eu gosto desse aqui” e quero que os outros se danem. E ainda, precisamos lembrar, ele dá um microfone e audiência 24 horas para gente que nem sempre tem boas coisas a dizer. 

Então: hoje é terça-feira e vai começar tudo de novo. 

Que tenhamos bom senso e discernimento para atravessar os meses desse vazio noticioso chamado Big Brother Brasil. 

 

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Faltam 36 dias para o Carnaval: é hora de falar sobre corpos nus e assédio http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/16/faltam-36-dias-para-o-carnaval-e-hora-de-falar-sobre-corpos-nus-e-assedio/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/16/faltam-36-dias-para-o-carnaval-e-hora-de-falar-sobre-corpos-nus-e-assedio/#respond Thu, 16 Jan 2020 07:00:11 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=2137

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Oficialmente, faltam 36 dias para o Carnaval. Mas a verdade é que o famoso pré-Carnaval tem se estendido tanto que já adentramos a época da folia. Os blocos estão promovendo festas de aquecimento, e quem gosta de marchinha e batucada já está com a agenda cheia. Por isso, me adianto no texto sobre bons modos carnavalescos. Melhor prevenir do que remediar.

Neste ano, o Carnaval trará uma vibe curiosa, já que significativas conquistas femininas e LGBTQs convivem com um acirramento do conservadorismo institucional do país. E, goste a ministra Damares ou não, precisamos lidar com o fato de que mulheres estarão ostentando seus seios ao ar livre. Caso você partilhe do horror ao corpo feminino nu em público, não se desespere, não agrida e nem fotografe, apenas ignore. Desvie o olhar, a rota e, se necessário, faça um post denúncia (sem imagem, claro) sobre o despudor do tal bloco ou baile. 

Mas, se conseguir, respire fundo e pense como os mamilos femininos foram confinados às camadas de roupa por séculos e, só agora, estão saindo para dar uma voltinha. No Brasil, claro. Porque, em muitos países do mundo, peitinho anda livre na praia há tempos.

Se você é mulher e está na dúvida sobre botar o peito de fora, recomendo fortemente os pasties. Neste ano, eles vêm temáticos, com penduricalhos e força total. Tapam, mas nem tanto. Sucesso garantido.

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Outro tópico importantíssimo é o “não”. Sei que tem gente que acha que a gente deve deixá-lo em casa no Carnaval, mas a verdade é que ele segue significando “não” mesmo nos dias mais loucos. E vale lembrar o ensinamento de anos passados: tudo que vem depois do “não” é assédio.

Aliás, essa é uma ótima aula para o deputado desavisado que tem bradado pelo direito das mulheres de serem assediadas. Meu amor, de paquera a gente gosta, e muito, de elogio também. Assédio é outra coisa e, se isso não está claro, precisaremos retomar essa questão. 

Mas como saber diferenciar? Não é difícil, gente! O assédio é feito de abordagens grosseiras, ofensivas e propostas inadequadas que constrangem, humilham ou amedrontam. A paquera é sutil, quase que uma pergunta se o outro topa aquele diálogo. E, se a pessoa disser que não está interessada, pronto: acabou o conversê, parte pra outra. Certeza que vai ter uma tampa pra sua pipoqueira carnavalesca. Pegar no braço, no cabelo ou lascar um beijo sem avisar, jamais! E também não vale xingar se a pessoa dá a negativa, tá? É Carnaval e não festinha da terceira série. 

Pra mulherada, vale a dica da clareza. Botar a tatuagem temporaria do “não é não” ajuda os mais confusinhos a identificar quem está protegida pela gangue local (no caso, todas as outras mulheres). Sim, a tatuagem virou marca de feminista consciente e tem o incrível poder de afastar babacas. 

“Ah, mas eu sou mulher e não gosto do que dizem as feministas.” Não tem problema, elas não ligam que você não goste, pode usar a tatuagem pra se blindar e ser feliz mesmo assim. Porque numa coisa a gente concorda, né, amores: homem bêbado forçando a barra é chato demais. 

Outro ponto importante bate forte na heterossexualidade: se um rapaz vier te paquerar, lembre que orientação sexual não está escrita na testa. Então é preciso dizer, sem alarde e muito menos porrada, que “bicho, eu não curto caras”. Pronto. Mas, claro, se ele insistir, pegar no seu braço ou no seu cabelo, não se acanhe e fale grosso (com as mãos pra trás, sem violência): “Não é não, rapá”. 

Fora isso, já vale reforçar o estoque de camisinha e arrumar uma pochete onde caiba o celular, o dinheiro e o bilhete único. Esquece que você acha isso feio e lembre que, no Carnaval, vale tudo, se respeitarmos o corpo, o espaço e as escolhas dos outros, claro! 

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Ser feliz ou gozar? O paradigma do antidepressivo http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/14/ser-feliz-ou-gozar-o-paradigma-do-antidepressivo/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/14/ser-feliz-ou-gozar-o-paradigma-do-antidepressivo/#respond Tue, 14 Jan 2020 07:00:11 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=2124

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Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrou que a população brasileira é a mais deprimida da América Latina. Ninguém sabe dizer se estamos realmente mais deprimidos ou apenas sendo dopados para aguentar a vida como ela é. Mas o fato é que diversos estudos mostram um aumento constante do consumo de antidepressivos: fala-se em mais de 70% em seis anos

Estaria tudo bem (acho) se, na esteira desse consumo, não estivesse um detalhe nada sutil: um dos principais efeitos colaterais da maioria dos remédios dessa categoria é a diminuição da libido e/ou o desaparecimento do orgasmo. Alguns estudos sugerem que quase 73% das pessoas que tomam esses medicamentos começam a ter problemas com o apetite sexual. 

Quem já tomou antidepressivo sabe que isso não é mito. E muitos aceitam resignados o efeito colateral dos medicamentos porque sabem que sem eles seria bem pior. Até porque deprimido também não tem muita vontade de transar, não é mesmo?

Mas, como estamos falando de um consumo massivo, até criticado por muitos especialistas que falam em “epidemia de diagnóstico“, podemos falar no paradigma do antidepressivo. Sim, ele deixa o mundo mais lindo e fácil de engolir. Mas leva com ele a faísca que acende o nosso fogo. Será que vale a pena? Porque uma vida sem tesão, sem sexo e sem gozo pode ser bem sem graça também. 

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Claro que eu não estou falando aqui das pessoas com diagnóstico preciso de depressão que precisam do remédio para seguir vivendo. Mas não sejamos hipócritas, tem muita gente que só tá tristinha ou vendo o mundo meio cinza momentaneamente e recorre aos antidepressivos. A tal da “epidemia de diagnóstico” se refere exatamente ao excesso de prescrição, ao consumo desvirtuado.

Digo isso sem julgamento nenhum. Não sou uma especialista que pode dizer quais os efeitos do uso desses medicamentos por pessoas que não estão tecnicamente deprimidas. E, sejamos honestos, entre o tanto de coisas com as quais uma pessoa pode se intoxicar por aí, os antidepressivos não parecem a pior delas.

Mas voltando ao efeito colateral. A explicação para a diminuição da libido é neurológica: os antidepressivos regulam a transmissão da serotonina, hormônio responsável por enviar sensações de bem-estar ao cérebro. O problema é que, quando os remédios aumentam o nível desse hormônio, diminuem a ativação da dopamina, diretamente ligada à excitação. Vem o bem-estar, vai o tesão. Difícil escolha. 

Algumas pessoas não ligam para a falta de vontade ou para o que chamo de gozo fujão, aquele que chega pertinho, mas acaba sempre escapando e nunca vem. Outras se desesperam quando se percebem, ok, felizinhas, mas meio assexuadas. Num mundo onde somos “heavy users” desses remédios controlados, nos percebemos diante deste difícil paradigma. 

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Piada de Chiquinho Scarpa com GPS em mulher não tem a menor graça http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/09/chip-pra-localizar-a-namorada-imagina-se-a-moda-pega/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/09/chip-pra-localizar-a-namorada-imagina-se-a-moda-pega/#respond Thu, 09 Jan 2020 07:00:41 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=2104

Chiquinho Scarpa e Luana Risério (Reprodução/ Instagram)

Chiquinho Scarpa mais uma vez ganhou destaque com seus factoides. Disse que teria implantado um chip na ex-namorada para localizá-la. Não era verdade, ainda bem. Mas a piada não tem a menor graça e além de colocá-lo (mais uma vez) na fila do tiozão do pavê mostra que piadinhas machistas são vistas como normais pela nossa sociedade.

Tenho certeza que alguns vão dizer “ah, para, era só uma brincadeira”. Mas por que seguimos achando que piadas machistas são engraçadas? Por que ainda passamos pano para gente que, no fim do dia, só colabora para uma sociedade mais desigual e cheia de preconceitos?

É importante termos em mente que tudo que a gente fala, twitta e faz publicamente influencia pessoas e também a cultura da nossa sociedade. Os críticos do politicamente correto vão torcer o nariz, mas a verdade é que quando somos pessoas públicas ou damos entrevistas públicas estamos influenciando um monte de gente. Estamos colocando sementinhas na cabeça das pessoas.

Por isso, celebridades e influenciadores no geral precisam ter responsabilidade sobre o que dizem. Mesmo em forma de piada.

E vejam, não há problema nenhum em assumir publicamente uma postura crítica referente a assuntos polêmicos. Você pode criticar algumas colocações do feminismo se discordar delas ou argumentar contra a luta das minorias identitárias, mas que isso seja feito com argumentos, com a defesa de uma ideia. Jogar no mundo piadas, rajadas de ódio ou machismo só nos conduzirá ao mar de opiniões vazias que nos leva a um mundo bem pior, onde, por exemplo, mulheres são mortas porque querem se divorciar.

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Pode parecer distante para alguns, mas o crescente número de feminicídios no Brasil tem muito a ver com a ascensão do discurso onde a mulher é colocada como posse do homem. Um discurso antigo e já superado que tem ganhado força em muitas igrejas e círculos machistas.

O pastor vai lá, fala que a mulher não pode estudar mais que o homem ou que deve obediência ao marido. O sujeito acredita e, quando a esposa diz que quer se separar, ele acha que tem o direito de matá-la. Claro, se disseram que ela é dele, ele pode fazer o que quiser, não é mesmo?

Digo isso pra mostrar que se a gente não quer lidar com o desconcertante índice de feminicídio precisa valorizar a mulher. Precisa parar de fazer piadinha que a reduza ou a coloque como seres de segunda classe.

Não é a nossa mão que puxa o gatilho, mas tenham certeza, enquanto sociedade estamos todos sujos de sangue!

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Diogo Nogueira: por que estranhamos tanto quando uma mulher fala bem do ex? http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/07/diogo-nogueira-por-que-estranhamos-tanto-quando-uma-mulher-fala-bem-do-ex/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/07/diogo-nogueira-por-que-estranhamos-tanto-quando-uma-mulher-fala-bem-do-ex/#respond Tue, 07 Jan 2020 07:00:37 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=2097

Diogo Nogueira (João Cotta/Divulgação)

Neste domingo (5), foi ao ar o primeiro Arquivo Confidencial do Domingão do Faustão. E a web se alvoroçou quando Milena, ex-mulher do homenageado Diogo Nogueira, pegou o microfone e teceu muitos elogios ao ex. Chamou mais atenção ainda ela dividir o palco com Jéssica, a atual namorada dele.

Mas por que ficamos tão surpresos com o fato de um casal que foi muito feliz e passou 15 anos junto se dar bem depois da separação? Num mundo onde a taxa de casamentos só cai e a de divórcios só cresce (segundo o IBGE, a cada três casamentos um termina em divórcio) e muita gente tem mais do que um ex, deveria ser apenas normal as pessoas conseguirem manter a amizade, o amor e principalmente o respeito após a separação, não é mesmo? 

Só que isso não acontece. Ainda vivemos num mundo onde o normal é odiar, brigar na Justiça e amaldiçoar a vida do outro sem a gente.

Mas o que há de “normal” em seu maior parceiro ou parceira, a pessoa com com quem você dividiu a cama, os boletos e os momentos de alegria, de um dia pra outro, se tornar seu arqui-inimigo? No fundo, isso é bem estranho, mas foi sendo normatizado, foi virando o básico por uma total falta de maturidade emocional da geral.

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É como se socialmente a gente tivesse evoluído: a mulher se emancipou e os casamentos deixaram de ser negócios indestrutíveis para se tornarem relações facultativas de amor. Mas, emocionalmente, a gente ficou parado no tempo, sem saber como lidar com essas novas relações mais efêmeras e, principalmente, com o fato de que separada de nós a pessoa segue sua vida, tem novos amores, novas vontades, novas descobertas. 

Ainda divorciamos com o coração na garganta e aplicamos a lógica dos nossos avós, em que a separação era tabu, uma espécie de morte, de breu, de fracasso. E, assim, somos contaminados pela dor e por sentimentos nada louváveis que nos levam direto para o caminho do ódio ao ex. 

É preciso urgentemente remoçar esse “normal”!

Neste ponto vale um pouco de história, já que não chegamos até aqui à toa. O casamento sempre foi uma questão polêmica em que a Igreja teve forte atuação. E, durante muito tempo, o que Deus unia o homem não podia separar. Em 1891, foi expedido um decreto que abria a possibilidade de “separação de corpos” desde que houvesse adultério, sevícia, injúria grave, abandono do lar ou mútuo consentimento dos cônjuges casados há mais de dois anos.

Ou seja, basicamente, entramos em 1900 encarando a separação como algo que só acontece por motivo de desgraça –e ai de quem queria separar sem consenso. Socialmente, fomos sendo encaminhados à essa névoa sombria pós-casamento. E, vejam,  a tal “separação de corpos” não desfazia a parte jurídica, que ficava para o resto a vida, amém.

Foi só em 1977, há pouquíssimos 43 anos, que o divórcio foi oficialmente instituído, não claro sem causar alvoroço na parcela religiosa que, diga-se, tinha grande influência sobre o Estado. A inovação permitia extinguir por inteiro os vínculos de um casamento e autorizava que as pessoas se casassem novamente. Ufa.

Tudo isso para dizer que estamos engatinhando no quesito divórcio e precisamos ter em mente que evoluir é preciso. E não é só na parte jurídica ou na guarda compartilhada (ainda bem cada vez mais comum) mas também na parte emocional. Precisamos trabalhar nosso coração e nossa cabeça para a separação que, sim, pode acontecer. Precisamos exercitar o amor ao próximo, a resignação e a compaixão –como bem insiste a Igreja– para que a vida após o divórcio seja apenas mais uma etapa na história dessa família. E, assim como não queremos desgraças, vociferações e vômito de ódio em nossos lares, precisamos nos esforçar para que esse tipo de sentimento não penetre a casa e a vida do ex. 

A raiva não nos afasta da outra pessoa, ela não é capaz de fazer o outro, ou a história que tivemos juntos, desaparecerem. Ao contrário, ela traz o outro para bem perto e da pior maneira possível. Traz mais problemas, mais dor de cabeça e mais energia ruim para as nossas famílias.

Por isso, celebremos o discurso carinhoso de Milena e a harmonia da família Nogueira, mas não com surpresa, e sim com admiração. Miremos nisso, levantemos essa discussão e exercitemos nós mesmos o respeito e o amor pós-separação. 

O mundo pede que mudemos. Ninguém disse que é fácil, mas com certeza criar um novo normal pós-divórcio nos levará para um lugar muito melhor.

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Usar as redes para denunciar uma traição é legítimo? http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/02/usar-as-redes-para-denunciar-uma-traicao-e-legitimo/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/02/usar-as-redes-para-denunciar-uma-traicao-e-legitimo/#respond Thu, 02 Jan 2020 07:00:10 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=2079

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Não é de hoje que as redes sociais vêm sendo usadas para fazer denúncias contra criminosos e pessoas com comportamento questionável. Desde arbitrariedades do sistema judiciário, até estupro, abuso e traição: tem de tudo nos textões que escancaram a vida privada. E claro que, neste mar de coisas, há desde injustiças sociais em seu último grito de esperança até a mais torpe das vinganças disfarçada de busca por reparo. Hoje vou me ater aos casos limítrofes que navegam na intimidade de um casal e não contém violência ou abuso. Aqueles que passeiam entre amantes, desonestidades e mentiras.

E como é difícil separar o joio do trigo nessa hora. O ex-marido que coloca a boca no trombone para falar da traição de anos da ex-mulher está errado? A moça que escancara os diversos casos de um homem casado que se dizia solteiro está certa? E mais: quanto alívio e quanta dor esses relatos podem trazer? O que fazer quando eles viralizam deixando de ser denúncias para virarem linchamento?

Não tem resposta fácil. Mas vale a discussão.

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O assunto me ocorreu depois que um meme sobre o caso do rapaz que teria assistido 11 vezes ao filme “Bacurau” ganhou os trending topics. A própria moça que deu início à denúncia negou a informação, mas já era tarde. Entre a piada e os fatos, a internet fica sempre com a piada. 

O mesmo aconteceu com o caso do marido traído. O texto que ele escreveu no calor da hora sobre a ex-mulher foi apagado na sequência, mas, uma vez online, pra sempre no mundo e daí para as homes dos portais e, claro, para os tribunais. 

O que quero ponderar aqui está fora da alçada da dor pessoal e do dano que a pessoa causou. Porque este pode, de fato, ser gigante, nos dando todas as ferramentas e justificativas para jogar a história no mundo. Mas será que a internet está aí pra isso? Será que todos os casos de traição e sacanagem amorosa merecem ser jogados aos leões? O quanto isso alivia nossa dor e o quanto pode causar mais problema? 

É impossível controlar a onda que a internet cria com os elementos que jogamos nela. Por isso, é preciso ter em mente que fazer uma postagem de “denúncia” sobre uma traição fala muito mais sobre nós do que sobre o traidor em questão.

Gente que tem amante, que mantém perfil no Tinder se dizendo solteiro, mas é casado, que namora diversas pessoas ao mesmo tempo e se diz perdidamente apaixonado por todas elas e outros tipos de estelionato amoroso é o que mais tem no mundo.

Alguns casos são imaturidade pura, outros resvalam no comportamento doentio. Mas a verdade é que, infelizmente, vivemos uma era de hipocrisia nos relacionamentos. Ninguém quer falar de casamento aberto, ninguém quer decretar a falência da monogamia e muitos preferem as palavras bonitas da negação a encarar a realidade dos fatos. E isso merece virar pauta. Precisamos mesmo nos debruçar sobre essa dissimulação amorosa, mas questiono se isso deve ser feito apontando o dedo para esta ou aquela pessoa. 

A tentação de jogar o nome de quem quebrou nosso coração na internet é real. E falemos a verdade, muitos de nós temos histórias com potencial de destruição sumária de ex-namoradas, amantes, maridos e afins. E claro que a vontade e nossos motivos aumentam quando aparece um amante tão longevo quanto o casamento ou seis namoradas e uma esposa em uma rede complexa de envolvimento. Mas mesmo assim me pergunto se a internet aberta é o fórum adequado para a discussão ou se não seria apenas palco para a mais cruel das vinganças.

E vejam, não botar a boca no trombone das redes não significa de forma alguma perdoar, relevar ou fazer vista grossa para o ocorrido. De jeito nenhum. Tem muita gente brigando na Justiça. Tem muita gente que perdeu amigos e família. Porque quando o laço quebrado com o parceiro é o da dignidade, isso não parte só o coração do cônjuge, parte o desonesto ao meio, criando uma dissidência profunda em todas as suas relações sociais.

E, pra isso, a gente não precisa de “denúncia” na internet. A gente precisa de rede de apoio e conversas sinceras. A gente precisa de olho no olho e ajuda para juntar os cacos. 

O que quero dizer é que o marido traído por mais de dez anos pode ter toda razão, assim como a moça que foi enganada pelo rapaz que se dizia solteiro e apaixonado. Mas, quando jogam essas histórias nos textões e tuítes desse mundão, os argumentos dão lugar ao vazio das opiniões supérfluas de terceiros jogando não apenas o traidor na jaula dos leões, mas também a nós mesmos e todos aqueles que estão em volta, como filhos, pais e eventuais outros envolvidos. 

Talvez não seja exagero dizer que essas denúncias sobre traição sejam uma espécie de justiça com as próprias mãos, aquele tipo de coisa que a gente morre de vontade de fazer, mas se segura porque sabe que, ali adiante, isso nos leva ao caos.

E aqui é importante dizer que não estou passando a mão na cabeça de desonestos, traidores e psicopatas amorosos em potencial. De jeito nenhum! Mas jogar a história nas redes pode causar uma inversão de papéis, colocando aquele que causou tanto dano no papel de vítima. E não nossa vítima, mas do mundo, porque do clique em diante são milhares de juízes, cada um com seu método de atuação agindo para condenar o traidor. É o que chamamos de linchamento virtual.

E quando o sacana vira vítima, convenhamos, não é bom pra ninguém.

Por maior que tenha sido a desonestidade amorosa, usar as redes para fazer uma denúncia deve ser muito bem ponderado. O que queremos com isso? O que essa denúncia pode causar? Existem outros  meios de atuar com contundência? E principalmente: vale a pena? Vamos discutir, sim, abrir fóruns, ler Regina Navarro, mas isso não tem nada a ver com justiçamento em praça pública. 

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Esqueça as metas para 2020: troque promessas por um potinho da felicidade http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/12/31/esqueca-as-metas-para-2020-troque-promessas-por-um-potinho-da-felicidade/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/12/31/esqueca-as-metas-para-2020-troque-promessas-por-um-potinho-da-felicidade/#respond Tue, 31 Dec 2019 07:00:01 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=2066

(iStock)

Ser mais saudável, ficar mais com as crianças, entrar na cachoeira, dormir melhor, cozinhar em casa. É muito comum que a gente chegue no 31 de dezembro com uma lista enorme de coisas que queremos para o ano seguinte. E tome ansiedade e tome pensar no futuro antes mesmo de digerir o que passou. E olha que passou foi coisa. Pois pausemos um instante.

Levanta a mão quem acha que 2019 foi um ano difícil. Teve polarização, profundos rachas ideológicos, medo, injustiças, crise, desastres ecológicos e até morte de ídolo por motivo besta. Toda essa intensidade mexe com a gente por dentro e por fora. Não é à toa que as previsões astrológicas sofreram um grande boom. Tem muita gente buscando nos astros (e também nas divindades) respostas e explicações para o que vem passando. 

É louco pensar como o ano foi intenso para todo mundo. Tanto na esfera macro, como na esfera micro. Só pra registrar, escrevo este texto com o pé pra cima, depois de uma fratura no dia 20, véspera das férias coletivas no trabalho. 

E é por isso que pergunto: como terminar um ano que pareceu uma década no quesito acontecimentos bizarros? Como seguir tendo esperança e acreditando que coisas boas acontecem? Não tem lista de metas que resolva essa questão, não é mesmo?

Os questionamentos podem parecer bestas para quem não tomou na cabeça diversas vezes em 2019 ou para os que, entorpecidos por substâncias controladas, acham sempre “tudo ótimo”. Mas, para aqueles que engoliram o ano a seco e, como num mar revolto, foram surpreendidos por diversos caldos, emanar uma vibe boa não é tarefa simples. 

No Instagram, todo mundo parece pleno com o pé na areia e hashtags solares. Mais não há nada de errado se #gratidão não está no seu vocabulário de Réveillon.

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Há mais de uma década, ganhei uma história em quadrinhos feita à mão por um casal de amigos amados. Era a história da “Flor de Natal”, que num ato corajoso sugava todas as coisas ruins do ano numa expiração profunda, para em seguida colocar pra fora uma leve doçura colorida. A analogia é linda, porque nos liberta da necessidade de afastar o mal. Isso serve para o fim de 2019. Porque, se não temos como nos livrar de tudo de estranho que nos acontece, que suguemos com firmeza para que dentro de nós esses acontecimentos operem alguma mudança e possamos devolver para o mundo o que há de bom em nós. Porque sempre há!

E aqui entra uma dica fofa e com toque mágico que achei no blog da Estéfi Machado. É um ritual maravilhoso para começar hoje, no último dia do ano. Na verdade é “só” um potinho que vai nos acompanhar durante os 365 dias de 2020. Perto dele você deixa uma caneta e papeizinhos. E toda vez que acontecer alguma coisa que te faça feliz, escreva no papel e ponha no pote. Ela diz: “Não precisa ser o emprego dos sonhos, a notícia da vida, nem um beijo de cinema. Pode ser a lembrança de um café com uma grande amiga, um trabalho que deu orgulho, um abraço na porta da escola, um esbarrão no supermercado ou um trocadilho infame de filho na hora de dormir”. 

No último dia do ano, você abre todos, lendo um a um com atenção. É quentinho no coração na certa! E, claro, você pode adaptar o ritual como quiser. Mas o importante aqui é que não estamos pedindo nada ou fazendo listas ambiciosas para o ano que se anuncia, estamos apenas lembrando que o ano que passou, por mais difícil que tenha sido, teve momentos bons, de alegria, de plenitude e de leveza. 

Como eu não fiz esse potinho em 2019, puxei de memória mesmo algumas coisas. E eu chorei. Quanta potência, quanta intensidade, quanta novidade 2019 me trouxe! Com o pé pra cima e duas bebês com febre, deixei escapar as coisas mais importantes: as boas, as sensíveis, as que nos fazem capazes de expirar um ar pesado e podre e inspirar a mais leve das esperanças. 

Sigamos de cabeça erguida, porque olhando pra baixo só vemos o pé quebrado, perdendo assim o pôr do sol e o sorriso dos filhos, um ato gentil e, claro, as verdades do mundo cão que precisam ser sugadas e repostas por energia boa. Coisa que só nós, humanos e flores de Natal, podemos fazer. 

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Porta dos Fundos: não basta não jogar bomba, é preciso repudiar o ato http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/12/26/porta-dos-fundos-nao-basta-nao-jogar-bomba-e-preciso-repudiar-o-ato/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/12/26/porta-dos-fundos-nao-basta-nao-jogar-bomba-e-preciso-repudiar-o-ato/#respond Thu, 26 Dec 2019 17:36:13 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=2061

Quando uma marca de cerveja fez uma propaganda totalmente equivocada no carnaval há alguns anos, as mulheres que se sentiram ofendidas botaram a boca no trombone, não só boicotaram a marca como fizeram uma pesada campanha contra ela. Boicote é uma forma de manifestação muito justa e se feita em massa pode ser eficaz. 

Digo isso porque acho legítimo as pessoas ficarem incomodadas com o especial de natal “A Primeira Tentação de Cristo”, do Porta dos Fundos. Mas isso não dá o direito de jogar bomba e nem de debochar do ataque como se ele fosse justo ou dizer absurdos como: “tiveram o que mereceram”, como lemos em muitos dos comentários nos textos que tratam do assunto. 

Quando a gente usa esse tipo de argumento abre uma porteira nefasta para o tal “fazer justiça com as próprias mãos”. E sabe o que acontece se todo mundo pensar assim? A barbárie! Hoje, é bomba porque se sentiram ofendidos com o filme, amanhã é tiro porque não gostaram de uma certa lei, depois, atentado porque tal marca apoiou não sei que político e na sequência vem o medo generalizado e uma a guerra que rapidamente se alastra e ninguém mais lembra exatamente porque começou. 

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Por isso é muito importante exercitar o bom senso nessa hora. E se fosse você ou os seus que tivessem sido atacados por algo que disseram ou fizeram?

Gente ofendida ou desgostosa com ação dos outros é o que mais existe no mundo. Não gostam do beijo gay na novela, não gostam da piada do Sílvio Santos, não gostam do fim do horário de verão ou da música que tocaram no réveillon. Isso pra ficar só no Brasil. E não é por isso que a gente sai atacando os outros.

Claro que a maioria de nós jamais faria uma coisa dessas, mas não basta não fazer, é preciso repudiar, é preciso entender a gravidade. E quando lemos um bando de gente usando argumentos na linha do “provocou, agora aguenta” precisamos puxar o freio de mão. 

Aderir à lei do mais forte só nos levará ao caos e onde hoje choram uns e amanhã choram outros. 

E faz o que quando a ofensa nos atinge? Boicota, escreve texto com argumentos, faz manifestação na porta da Netflix, posta vídeo no Youtube, faz abaixo assinado e campanha para que as pessoas cancelem em massa a assinatura do canal do Porta, mas não usa a força e nem diz “bem feito” se alguém o fizer. Amanhã você pode estar do outro lado e nessa guerra perdemos todos que queremos andar em paz pela rua. 

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