Lia Bock http://liabock.blogosfera.uol.com.br Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo. Tue, 19 Nov 2019 07:00:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Briga de casal esquenta o sexo? http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/11/19/briga-de-casal-esquenta-o-sexo/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/11/19/briga-de-casal-esquenta-o-sexo/#respond Tue, 19 Nov 2019 07:00:53 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=1937

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Sexo no casamento é um misto de aconchego e desafio, já que, na mesma medida em que vai ficando gostosinho, vai diminuindo a frequência. 

Não é segredo pra ninguém que manter a chama exige algum esforço.

Tem uma porção de casais que, na vontade de não deixar o fogo partir, recorre a uma técnica milenar em que o sexo serve para fazer as pazes. Quando isso acontece naturalmente e as pazes são feitas com glamour e gozo, é ótimo. Mas será que começar a cavar brigas e alimentar rusgas porque depois do estresse vem a recompensa é saudável?

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Tendo a achar que esse tipo de dinâmica tem uma pinta de adição. A gente começa porque “ah… vale pena” e, quando vê, está totalmente viciado e enrolado num modus operandi nada saudável.

Casais que brigam podem até transar mais, mas a pergunta é: será que vale a pena?

Claro que uma certa tensão pode fazer bem à dinâmica amorosa do casal, mas levar isso às últimas consequências pra que se tenha uma recompensa no final me soa meio suicida. A chance desse estresse minar o que tem de bom no casal é grande e, enquanto durar essa relação, péssimo e bom podem se entrelaçar de maneira tão intensa que talvez não consigam mais se soltar. Tem um cheiro de vício em drogas pesadas, não tem?

Tendo a achar que a vida a dois precisa ser mais agradável do que isso. Já temos questões suficientes compartilhando os filhos, os boletos e os ex. Se pra transar a gente precisar passar por um calvário, acho que começa a não valer a pena.

Porque pode até ser que, depois de transar e fazer as pazes, o casal consiga ficar numa boa, mas, dentro de cada um, fica uma cicatriz que vai se somando a outra e a outras e assim infinitamente até que ficam tão visíveis que viram a marca do casal. Vira a dinâmica primordial e, nessa hora, tudo que há de bom acaba ficando pequeno. E o sexo, que é pra ser uma coisa deliciosa, vira a consequência do caos, do estresse e da tristeza. E, puts, sexo é tão maior do que isso, não é mesmo?

Tem alguns casais que vivem essa dinâmica e nem percebem. Pode ser falta de autoconhecimento e de análise (conversa e troca) da dupla, mas podem também ser aqueles casos de negação. As pessoas fingem que não percebem a dinâmica nefasta para não ter que lidar com o problema. Porque sim: é um problema. 

Brigar e se desentender fazem parte da vida a dois e temos que lidar com nossas diferenças, mas alimentar esse lado (mesmo que sem perceber) pra que o sexo aconteça é destruidor. Sempre tem um que se ferra mais nessa dinâmica e é esse que vai sair destroçado no final. E, vejam, muitas vezes o outro vai embora porque o um está justamente despedaçado. Percebem a doença: a pessoa te destrói e depois te deixa porque você está destruído.

A vida precisa de sintonia, de apoio, de compreensão, de leveza e gargalhada. E claro que sexo é essencial, mas não a qualquer custo.

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“Ele era um homem bom”: violência não vem estampada na cara do agressor http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/11/14/ele-era-um-homem-bom-violencia-nao-vem-estampada-na-cara-do-agressor/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/11/14/ele-era-um-homem-bom-violencia-nao-vem-estampada-na-cara-do-agressor/#respond Thu, 14 Nov 2019 07:00:51 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=1928

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Patrícia conheceu “o homem bom” em Fortaleza, onde vivia numa casa simples com a família. Ele é holandês e logo começaram a namorar, com aliança e tudo. Pagou viagem, roupas, prometeu a reforma na casa inacabada. Enviou dinheiro, marcou casamento e foi sempre muito gentil com todos. Assim se passaram três anos de namoro entre lá e cá.

Mas, em outubro, Patrícia foi encontrada morta junto com o bebê que estava gestando, de quase oito meses.

“O homem bom” é o único suspeito. E os dois filhos da brasileira, além de não ganharem as camas que “o homem bom” prometeu, perderam a mãe, morta na Holanda.

A família ficou em choque com a notícia porque, afinal, Dennis parecia “um homem bom”

Por isso, quando as pessoas se perguntam quem são os homens que cometem violência contra suas esposas ou namoradas, precisamos sempre lembrar de Dennis. Precisamos sempre lembrar que a violência não está estampada na cara dos sujeitos e que é preciso tempo e atenção aos detalhes para caçar o título de “homem bom” antes que os caras se tornem agressores. 

Nos atentemos aos fatos de que, antes de Patrícia morrer, Dennis já não era mais o rapaz bacana que mostrara a princípio. E é a esses detalhes que precisamos nos apegar. Ele a fez apagar o Facebook e a proibiu de falar com a família pelo Whatsapp. Os amigos sabiam disso, ela mesma contou. Segundo a irmã, ele teria insistido para que ela fizesse um aborto, mesmo estando com a gestação avançada. 

Ah, mas todo cara que é possessivo ou pede pra apagar o Facebook agora é potencial assassino? Claro que não, mas existem indícios para atitudes violentas, e ciúme excessivo e controle da vida da mulher são alguns deles. E, convenhamos, não são só os assassinatos que não podem ser tolerados. Qualquer tipo de violência deve ser motivo para o término e medidas judiciais cabíveis. 

Eu não estou querendo generalizar, mas tão pouco podemos ignorar que muitas mulheres têm morrido na mãos de seus companheiros. Todos eles “homens bons” até não serem mais. 

Por isso, acho muito importante a gente falar aqui do que vem antes dessas mortes. Porque, geralmente, alguma coisa vem. E, como afirmam os especialistas que entrevistamos para a série Vítimas Digitais, exibida no GNT, pequenas violências são a porta de entrada para violências maiores.

Então, não tem essa de achar ciúme fofo. Não tem essa de achar que “ele está cuidando de mim”, quando, na verdade, o que acontece é monitoramento excessivo e controle. Não tem essa de achar que ele foi violento só porque estava de pileque. Homem que proíbe a mulher de ver ou falar com família ou amigos, que proíbe de usar essa ou aquela roupa, que exige a senha do celular e afins precisa ser visto com as ressalvas necessárias. Claro que nem todos matarão suas companheiras, mas tenha a certeza de que coisa boa não virá!

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Muitos casos de feminicídio, ameaça e exposição de fotos e vídeos íntimos sem consentimento acontecem depois que a mulher termina uma relação que já era abusiva. Inconformados com o fim, os sujeitos partem pra cima como podem no pior formato “se não vai ser minha, não vai ser de ninguém”. E é aqui que não queremos chegar!

Mas, gente, homem que controla a mulher é o que mais tem no mundo. Pois tenhamos medo de todos eles e não caiamos na lábia dessa sociedade machista e que ainda quer a mulher como um adereço do homem. 

E, claro, também não caiamos aqui no clichê de que “quando a esmola é demais, o santo desconfia”, porque o mundo está de fato cheio de homens bons. O que a gente precisa é ficar de olho nos que são lobos em pele de cordeiro, nos que cruzam a linha do bom senso, da privacidade e da autonomia da mulher. Esses, sim, têm bem mais chance de ser os feminicidas de amanhã. 

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Dividir vale-nights e a louça é suficiente para um casamento equilibrado? http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/11/12/a-divisao-justa-de-tarefas-e-vale-nights-no-casamento-e-uma-ilusao/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/11/12/a-divisao-justa-de-tarefas-e-vale-nights-no-casamento-e-uma-ilusao/#respond Tue, 12 Nov 2019 07:00:02 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=1920

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Há quem diga que, pra um casamento ser equilibrado, os dois devem ganhar a mesma coisa ou dividir as tarefas tal e qual, religiosamente, ao meio. Os dois têm que ter o vale-night pra cervejinha com amigos e encher o pneu do carro quando forem abastecer. 

Mas e se um não dirige? E se o outro não tem essa necessidade semanal de sentar no bar com os amigos? E se a mulher tem um emprego fixo e ganha bem mais? 

Equilíbrio no casamento é uma coisa meio mágica e não pode ser visto como algo tão cartesiano. Até porque estamos falando de duas pessoas que compõem uma dupla, e a unicidade que trazemos é fundamental pra que a coisa dê certo. Respeitar o jeito, as vontades e os desejos do outro é muito importante para que cheguemos na tão almejada relação equilibrada.

Mas, pensando bem, talvez o certo fosse falar em harmonia do casal, já que equilíbrio traz essa ideia de mesmo peso, e até de espelho, que não funciona na vida marital. 

A ideia de harmonia tem mais a ver com todos estarem se sentindo bem dentro de um acordo pré-estabelecido, traz a essência do equilíbrio, mas sem a necessidade da divisão exata, ao meio, com coisas iguais dos dois lados.

E, vejam, não estou aqui dando uma desculpa pra marmanjo dizer que lavar a louça e fazer o lanche das crianças é sempre função da mulher. Pessoalmente, acredito que as divisões domésticas devem, sim, ser partilhadas com equilíbrio. Acho fundamental todo mundo saber o trampo que dá limpar, lavar, cuidar, arrumar. Estou falando de algo mais subjetivo que se refere ao modo como existimos no mundo. 

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Nem sempre as vontades de um são as vontades do outro. E, nessa hora, como atender a tudo mantendo a harmonia? O importante não é sair pra tomar uma cerveja com os amigos só porque o outro faz isso com frequência. É você localizar em si seus desejos e suas vontades para negociar o melhor encaixe. 

Claro que é preciso cuidado com os planos comuns. Um casal precisa fazer coisas juntos e, no fim do percurso, querer chegar ao mesmo lugar. É disso que se trata qualquer parceria na vida. Mas, dentro dessas coisas comuns e que caminham para um lugar acordado por ambos, podemos, sim, ter nossas diferenças. Aceitar que nossas necessidades não são as mesmas que as do parceiro ou parceira pode ser libertador. 

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Luana Piovani, Pedro Scooby e as tretas de ex-casais nas redes http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/11/07/luana-piovani-pedro-scooby-e-as-tretas-de-ex-casais-nas-redes/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/11/07/luana-piovani-pedro-scooby-e-as-tretas-de-ex-casais-nas-redes/#respond Thu, 07 Nov 2019 07:00:11 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=1907

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Não é de hoje que Luana Piovani e Pedro Scooby se alfinetam nas redes. Como são famosos, cada cutucada rende matéria, repercussão e um clima de Fla x Flu nos comentários. Mas falemos a verdade, não são só eles –e nem só as celebridades divorciadas com ampla exposição– que têm problemas online.

As redes sociais prestam esse desserviço aos ex-casais: deixam muito acessíveis (quando não jogam na nossa cara) tudo que o ex ou a ex estão fazendo. A paixão pela namorada nova, a alegria numa viagem e a curtição em festas são só algumas das coisas que, mesmo numa separação amigável, podem dar aquela fisgadinha no coração.

É supernormal sentir isso. Não é por acaso que muita gente bloqueia o ex nas redes sociais. Mais do que não ser visto e não ter seus passos controlados, muita gente não quer ver, não quer ter acesso ao que possivelmente vai causar um gosto amargo na boca. E isso, claro, ainda evita o risco de dar vazão ao incômodo e deixar aquele comentário maldoso. Porque, sim, somos humanos e precisamos assumir que a felicidade do outro nos incomoda. 

Parece meio ridículo, mas somos ridículos às vezes e tudo bem. O que eu acho que não é tudo bem é dar vazão a esse sentimento azedo e responder, agredir ou alfinetar a pessoa. Como fez Luana. É claro que Luana é Luana, e faz parte da persona que ela construiu tomar essas atitudes, mas, para nós, meros mortais, esse tipo de coisa pode nos drenar para o fundo do poço. No geral, quem não quer ver ou ser visto, quem não quer ter o coração fisgado por sentimentos bobos (e tão humanos) deve apenas se afastar.

Há poucas coisas mais tristes na separação do que ex-casais lavando roupa suja publicamente nas redes. Até porque, pra isso cair numa exposição criminosa da intimidade alheia, é um pulo. Lembremos que o rapaz que achou por bem expor o caso extraconjugal da ex-mulher nas redes está sendo processado por ela e que, pior, há dois filhos entre eles! 

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Não faltam histórias de ex-casais brigando na praça pública das redes socais, mas, na ponta desse iceberg, temos, claro, os graves crimes de exposição de fotos e vídeos sem consentimento

E, pra quem acha que estou juntando alhos com bugalhos, um alerta: tanto a cutucada comentando a foto do ex quanto a divulgação de vídeo íntimo por vingança tem raiz na nossa imaturidade digital e na dificuldade em separar a dor que sentimos das ações que tomamos. A nossa birra, o nosso ódio ou ressentimento não nos autorizam a agredir o outro. E, por mais que seja simples postar um comentário ou um texto raivoso, precisamos ter em mente que lidar com as consequências disso pode não ser nada prazeroso. 

É preciso conter nosso ímpeto. É preciso pensar duas vezes antes de se expor, expor o ex e os nossos filhos. Brigar com o ex –principalmente em público– tem um efeito nesta família que, por mais que não viva mais sob o mesmo teto, segue tendo laços. Na hora da raiva, vale esfriar a cabeça e lembrar que dividimos os boletos da escola, dividimos a criação, os problemas, as dores e a saúde das crianças. Vale lembrar que pai e mãe de filho nosso é pra sempre. Gostemos disso ou não.

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Série mostra potencial devastador dos crimes digitais sobre as mulheres http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/11/05/serie-mostra-potencial-devastador-dos-crimes-digitais-sobre-as-mulheres/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/11/05/serie-mostra-potencial-devastador-dos-crimes-digitais-sobre-as-mulheres/#respond Tue, 05 Nov 2019 07:00:39 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=1893

Débora Falabella que vive uma das personagens da série “Vítimas Digitais”, do GNT

Na semana passada, a deputada americana Katie Hill renunciou ao cargo depois que fotos íntimas suas com outra mulher foram divulgadas na mídia. Segundo Katie, a distribuição das fotos foi arquitetada pelo marido, de quem está se separando. Enquanto isso, no Brasil, outro marido com ego ferido achou que fazer um textão “denunciando” um suposto caso da esposa com o sócio dela aplacaria sua dor. Como ela é sócia de um grande escritório de advocacia, a notícia sacudiu o meio jurídico. 

O que você vê quando depara com essas duas notícias? Se o que chama mais a atenção é o fato de duas mulheres terem casos extraconjugais e uma delas ter fotos íntimas, começamos mal. O que temos aqui, meus caros, são, antes de tudo, duas vítimas que, por motivo de vingança, foram transformadas em “vagabundas”.  O que temos aqui são dois casos que, apesar de midiáticos, são a ponta de um iceberg gigantesco que tem um nome: violência digital. Um crime que, pela estrutura machista de nossa sociedade, atinge em cheio as mulheres.

Segundo a ONG Safernet, que trabalha com direitos humanos na internet, de 2017 para 2018 houve um crescimento de mais de 1.600% nas denúncias de violência contra a mulher nas redes. 

E pra quem torce o nariz achando que se não é porrada e tiro, não dá pra chamar de violência, o diretor João Jardim faz um aceno. O seriado “Vítimas Digitais”, que estreou nesta segunda (4) às 23h30, no GNT, traz durante sete semanas, toda segunda, histórias que mostram o potencial devastador desse tipo de crime.

Os casos exibidos na série são todos baseados em histórias reais e mostram, antes de tudo, que a violência nunca vem sozinha. E, muitas vezes, o abuso psicológico, a violência física e as ameaças andam de mãos dadas com a divulgação de uma imagem íntima, o sequestro da vida digital e a difamação nas redes. Fruto de uma grande pesquisa, da qual me orgulho de ter feito parte, os casos dão a real dimensão  desse tipo de crime. De todas as mulheres que entrevistamos, não teve uma que superou o ocorrido e estava levando a vida numa boa. Ser escalpelada na web deixa cicatrizes eternas.

Muita gente ainda insiste em separar a vida online da offline, mas escutando as histórias de diversas mulheres vítimas de crimes digitais fica claro que somos uma coisa só. Portanto, ser atacada nas redes é ser ataca na vida. E não existe de “sai do Facebook que acaba”. Esses criminosos, na maioria das vezes ex-namorados e ex-maridos, não param enquanto não enxergam a vítima se esfacelar diante de ameaças, exposição e um ciclo que inclui muita dor de cabeça – no trabalho, na família, na rede de amigos e claro, nas redes sociais.

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Ter a vida exposta nas redes e lidar com as ameaças que vêm neste combo têm efeitos psicológicos muito graves. E uma coisa que não ajuda neste processo, claro, é a dificuldade da sociedade em entender a vítima como vítima. Como nos casos citados no começo do texto, antes de serem tratadas como pessoas que estão sofrendo e que tiveram suas vidas invadidas, essas mulheres são vistas como promíscuas ou como descuidadas.

E é isso que a série vem quebrar. Cheia de cenas fortes e com um clima de tensão, a narrativa das sete histórias (cada uma ocupando um episódio) vai sendo entrecortada com a fala de especialistas. Gente como a promotora de Justiça do Estado de São Paulo Gabriela Manssur, que pontua toda a cadeia de violências que essas mulheres sofrem no processo, e como Beatriz Accioly Lins, antropóloga da USP que estuda o comportamento online e mostra os indícios de um potencial criminoso.  Ao todo são 17 especialistas em crimes digitais, direito, psicologia, psiquiatria, comportamento na web e direito das mulheres afiados para, junto com as histórias vividas por atores e atrizes, como Débora Falabella e Marcos Veras, mostrar a gravidade desses crimes.

Assistindo aos episódios é impossível não pensar: e se fosse eu, minha filha ou minha mãe? E isso é importante para que, enquanto sociedade, a gente plante a mudança. Porque, quando a gente sente empatia por essas mulheres, algo já mudou. Quando a gente entende que elas são vítimas, respeita seus sofrimentos e olha para a situação como quem olha para um estupro ou para uma surra, avançamos algumas casas no quesito civilidade. Assista ao teaser da série. Toda segunda, às 23h30 no GNT.

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A sororidade morre quando a desonestidade aparece http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/10/31/a-sororidade-morre-quando-a-desonestidade-aparece/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/10/31/a-sororidade-morre-quando-a-desonestidade-aparece/#respond Thu, 31 Oct 2019 07:00:33 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=1885

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Desde que a palavra sororidade entrou em nossas vidas há alguns anos, a gente vem pensando sobre mulheres se apoiando e tendo mais empatia umas com as outras.

E isso é muito importante num mundo que sempre pregou a competição, que sempre estimulou concursos, desafios e colocou as mulheres umas contra as outras (mesmo que nas pequenas coisas). Falar de  sororidade é falar de vida na coletividade, de ajuda mútua, de pessoas pensando as relações como forma de potencializar a sociedade e consequentemente nós mesmas.

Sempre me lembro daquele texto em que o Rubem Alves fala de casamentos frescobol versus casamentos tênis e trago a mesma lógica para todas a relações humanas: num a gente joga contra e no outro a gente joga junto – neste segundo o erro de um é a derrota de todos. Trazer a lógica do frescobol pras nossas vidas é sempre bom.

Mas tem gente que confunde se apoiar mutuamente com perdão a qualquer custo. E uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Precisamos ter em mente que a sororidade termina quando entra a desonestidade.

Quando alguém, independentemente do gênero, sacaneia a gente, saímos do terreno da irmandade para adentrar as águas cinzentas da escrotidão. E nesse lugar valem as regras da oposição. Tipo: acabou o frescobol porque seu parceiro ou parceira roubou a bolinha, saca?

Nessa hora, meus amigos, a palavra sororidade sai totalmente de cena. Não cabe nem em piadinha. Porque a gente não dá as mãos pra quem puxou nosso tapete, certo? Também não damos as mãos pra quem está nos processando na Justiça e por aí vai.

É muito importante esclarecer isso principalmente pra aqueles que acham que ter sororidade é ser a Madre Teresa. Não é. Algumas de nós podem até ser superiores e conseguir, de fato, exercer esse perdão benevolente, mas isso não tem nada a ver com ter sororidade.

Tomemos o caso Ludmilla e Anitta como exemplo. Podem ter faltado muitas coisas na relação das duas artistas, inclusive honestidade, mas sororidade não tem nada a ver com a história. 

E onde a sororidade se aplica? Um exemplo claro: quando uma mulher declina da paquera de um rapaz por quem estava interessada ao descobrir que ele é casado. Ela poderia até topar a confusão, mas como não gostaria de estar no lugar da outra, escolhe não se envolver. Outro exemplo: quando, mesmo tendo muitos caras à disposição, mulheres optam por fazer parcerias profissionais com outras mulheres.

Mas tenham em mente, assim que uma pessoa passa a fronteira da dignidade e da sinceridade, a sororidade se liquefaz e morre sob os escombros da desonestidade humana.  

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Quem agride pregando o bem não vai pro céu http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/10/29/quem-agride-pregando-o-bem-nao-vai-pro-ceu/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/10/29/quem-agride-pregando-o-bem-nao-vai-pro-ceu/#respond Tue, 29 Oct 2019 07:00:59 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=1876

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A campanha 40 Dias pela Vida é uma quarentena de reza contra o direito à interrupção da gestação. Importada de católicos do Texas, nos Estados Unidos, a vigília, dizem, visa simular o período de 40 dias de tentação de Jesus no deserto, como narrado pela Bíblia. Até aí, tudo bem, cada um reza pelo que acredita. 

O problema é que a turma de São Paulo escolheu a entrada do hospital Pérola Byington para fazer a sua prece. Exatamente por onde passam, entre outras pessoas, mulheres estupradas que buscam atendimento ginecológico e psicológico pós-traumático. Algumas delas, as que engravidaram como consequência do estupro, com direito garantido pela lei ao aborto. Todas, sem exceção, fragilizadas e esmigalhadas pela violência sofrida. 

Agora, você imagine essas mulheres, grávidas ou não, tendo que lidar com mais esse fator de estresse e, por que não dizer, mais essa violência, não é mesmo? Sim, porque até reza pode ser violenta se usada para intimidar.

Meus amigos, lembrem: Deus não autoriza violência em seu nome, e preceitos religiosos não estão acima do bem e do mal. Essa vigília é o que há de pior no mundo e mostra como seguidores da Bíblia também podem não ter coração.

Eu não estou dizendo que eles não podem rezar, mas que rezem a uma distância segura de pessoas nas quais suas palavras cairão como facada.

Rapidamente, um grupo que defende o direito ao aborto dentro das condições previstas por lei se organizou na mesma calçada. Indignados com a violência cristã, estão fazendo uma barricada para proteger as mulheres que entram e saem do hospital. Linda ação de apoio a quem precisa, mas, convenhamos, a que ponto chegamos! Será que essa gente não enxerga a desumanidade de seus atos? Querem atuar contra o aborto legalizado? Façam vigília na frente do Supremo Tribunal Federal. Esfreguem seus fetos na cara de quem de fato pode mudar alguma coisa. 

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Oprimir mulheres violentadas na porta de um hospital deveria ser tratado como tortura, enquadrado como violência psicológica. 

E digo oprimir com a consciência tranquila porque informação colocada no momento errado e de forma enviesada oprime, sim! Reza mal-intencionada também. 

E o que seria reza mal-intencionada? Aquela que desrespeita pessoas de crenças diferentes, que desconsidera o sofrimento que tais palavras causarão e que coloca preceitos religiosos acima do respeito ao outro.

Essa vigília não traz a palavra de Deus, traz o pior lado do ser humano que se esconde atrás da religião para exercer seu espírito de porco.

Certeza que essas pessoas vão arder no fogo do inferno. 

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São os tiozinhos que mais se comportam mal no Tinder http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/10/24/sao-os-tiozinhos-que-mais-se-comportam-mal-no-tinder/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/10/24/sao-os-tiozinhos-que-mais-se-comportam-mal-no-tinder/#respond Thu, 24 Oct 2019 07:00:12 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=1859

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Não sou eu que estou dizendo. É Elie Seidman, CEO do Tinder. Em uma entrevista para o jornal inglês The Guardian, o executivo ponderou o que muita gente já vinha sacando na prática: são os homens mais velhos os que mais dão gafes e saem da linha nos encontros de apps de relacionamentos. 

No entanto, a explicação de Elie é bem generosa com os tiozinhos: justifica o mau comportamento –como tratar mulheres mal ou enviar fotos do pinto sem que isso tenha sido solicitado– por esses ‘pobres’ seres humanos não terem desenvoltura digital. Diz ele que os mais novos não fazem diferenciação entre a persona online e a offline e, por isso, tendem a se policiar da mesma maneira dentro e fora da rede.

Mas será que é só isso?

Pode até ser que os caras se embananem com as ferramentas, mas dizer que eles não têm noção de que no app somos responsáveis por nossos atos me soa um pouco condescendente demais. 

Claro que Elie não quer falar mal de seus principais usuários, porque são exatamente esses homens os que mais usam o Tinder (principalmente a versão paga), mas nós aqui podemos ir um pouco mais longe.

Não acho que esses sujeitos sejam apenas imaturos digitais (digamos). Acho, sim, que trazem em si um machismo tão arraigado que, por onde quer que eles passem, deixam suas pegadas encharcadas de preconceito e soberba. 

São homens que cresceram com a ideia de que a mulher existe para servi-los e que desagradá-las ou agredi-las faz parte do jogo. São homens que enxergam o discurso feminista como uma ameaça e muito provavelmente maltratam suas mães. São homens que querem a mulher magra e depilada, mas cultivam, eles mesmos, a barriga de chope e as cuecas rasgadas. 

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Elie se adianta para dizer que o app tem punido e banido os adeptos de comportamentos duvidosos e faz uma análise quase bucólica do terreno de sua empresa, onde ele vê uma vasta possibilidade de relacionamentos humanos. Mas fico me perguntando se o app (não gamer) que mais lucra no mundo não poderia ir mais longe na conscientização pela igualdade de gênero e na proteção das mulheres que estão sob seu guarda-chuva digital. 

Porque, veja, esses homens não são os desajeitados tiozinhos que não sabem se comportar na web, eles são o topo da cadeia alimentar que vem há séculos pisoteando os demais.

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Se WhatsApp passar a cobrar por mensagem, será que nossa vida melhora? http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/10/22/se-whatsapp-passar-a-cobrar-por-mensagem-sera-que-nossa-vida-melhora/ http://liabock.blogosfera.uol.com.br/2019/10/22/se-whatsapp-passar-a-cobrar-por-mensagem-sera-que-nossa-vida-melhora/#respond Tue, 22 Oct 2019 07:00:44 +0000 http://liabock.blogosfera.uol.com.br/?p=1846

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Quando o WhatsApp chegou ao Brasil, lá nos idos de 2009, parecia uma bênção alcançada. Lembremos que até então a gente pagava por cada mensagem enviada – ou tinha um plano ilimitado caríssimo. Rapidamente o app das mensagens instantâneas viralizou e as benesses de não pagar para dar aquele salve foram efusivamente celebradas. Eu vibrei. Doce ilusão.

De lá pra cá muita coisa mudou e chego a ter nostalgia daquele sentimento ingênuo. Ficamos ultrassensíveis para chefes, clientes e pessoas com pouca sensibilidade noturna, depois começamos a ter que lidar com o excesso de grupos e eis que dez anos depois eu só penso que se ainda hoje as mensagens fossem pagas, talvez a gente não estivesse se afogando em zap. 

Imagina aquele sujeito que inunda o grupo com os links das quatros newsletter que lê todo dia de manhã? Se tivesse que pagar, talvez ele pensasse duas vezes se mandaria por email  – Amém. Imagina aqueles que escrevem uma palavra e dão enter, mas duas palavras e enter, mais uma palavra e enter? Com certeza iriam se condicionar a dar um enter só no texto completo e nos evitariam aquele senso de urgência e de desgraça que vêm quando o celular apita muitas vezes seguidas. 

Os grupos de pais da escola também seriam muito mais civilizados, ninguém ia ficar se repetindo ou se sentindo na obrigação de debater todas as polêmicas se a cada clique tivessem alguns reais envolvidos. 

E antes que vocês perguntem se eu estou maluca, me explico: não é que eu queira pagar pra enviar mensagem, mas tendo em vista a surra de zap dia sim dia também, meu desespero aumenta e penso como chegamos até aqui. Fomos brindados com uma ferramenta gratuita para envio de mensagens e em dez anos viramos uma central de inutilidades ambulante. Muitas vezes penso que não temos maturidade para usar o WhatsApp e nem colhão para criar regras claras para uma comunicação comedida e útil via celular. 

Sim, porque já vi muita gente se queixando desse ou daquele grupo ou de pessoas específicas, mas poucos tem coragem de falar isso na cara – ou melhor, no Whats. Entram no outro grupo pra queixar de alguma coisa, mas mandar a real ali mesmo e tentar civilizar as conversas, ninguém tem coragem. Porque será, não é mesmo?

Não é porque essa ferramenta é de uso livre e pede o bom senso de cada um que as pessoas precisam ficar engolindo sapo. WhatsApp é conversa, é comunicação e como todo tudo que está nessa seara precisa de regras éticas. 

Fulaninho não para de mandar fake news? Devolve textão pedindo checagem. Pais da escola estão falando mal dos professores no grupo? Avisa lá que o endereço da escola é outro! Tem criança entrando no celular dos pais e exagerando nas postagens? Dá um alo preventivo para estes genitores. Carinha tá surtado no envio de sacanagem? Avisa que não há interesse neste tipo de mensagem.

A importante é a gente ir discutindo a quantidade e a qualidade dessa trocas porque se a regulação somos nós, precisamos fazer nosso trabalho.

E claro que não estou falando de um dia o outro quando algo extraordinário ou catastrófico acontece e o Whats entra em surto. Isso faz parte. Tô falando do dia a dia mesmo em que somos atropelados por toda sorte de mensagens e não conseguimos concluir um pensamento sem que apareçam duas ou três mensagens novas.  

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Às vezes eu acho que o problema não está no Whats em si, mas na falta de outras formas de relacionamento. Estamos tão acostumados a nos comunicar por essa mídia que esquecemos que ela tem uma função e que para algumas mensagens, existem outros meios. 

Eu por exemplo acho que para textos longos, brigas, cartas ou coisas com datas e tópicos que precisam ser lembrados, nada melhor do que o email. Mais fácil de localizar e as pessoas não precisam receber no meio de uma reunião, da festa da escola ou em ouros momentos nos quais não precisariam ser importunados por motivos torpes.

“Ah, mas o e-mail vai morrer”, me dizem os fatalistas. Tomara que não, porque se as planilhas, as newsletters e a comunicação oficial da escola começarem a entrar pelo zap daí sim a gente não vai fazer mais nada da vida.  

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(iStock)

  • Esqueça as dietas restritivas, os perfumes que tiram a fome e a oração do emagrecimento. 
  • Faça depilação apenas onde não te mata de dor e não faz pelo encravado. Deixe as partes sensíveis peludas e não tente escondê-las. Pelos são parte do corpo, olhe para eles com carinho.
  • Se produza e se olhe no espelho com as costas eretas, faça um biquinho e mande um beijo pra si mesma. Sinta-se!
  • Poste algumas selfies no Instagram com seus melhores ângulos e ao lado dos seus livros preferidos. Não se esconda! Nem física e nem intelectualmente. 
  • Bloqueie as blogueiras fitness temporariamente. Ou pelo menos aquelas que te inspiram uma vontade louca de fazer um regiminho. 
  • Comece a seguir mulheres fortes, que valorizam a beleza individual de cada uma e estão sempre prontas para o verão!
  • Baixe um app de controle de tempo nas redes sociais e se certifique de que você vai olhar mais pra fora do que pra dentro.
  • Bote a cara e o corpo no sol sempre que possível.
  • Não caia na tentação de começar uma academia se você não gosta da coisa! Pense num exercício que te gere bem-estar e faça você se sentir bem.
  • Se achar que é o caso, procure uma nutricionista para uma reeducação alimentar longeva. 
  • Lembre que filho vive no mundo do contrário. Se eles disserem que você está horrível, é porque amaram.
  • Jamais leia os comentários de posts e textos seus que viralizaram. E lembre: quem xinga uma mulher de feia merece um abraço. 
  • Se você começar a se sentir inadequada de alguma maneira, procure as manas e peça: “tô precisando lembrar o que eu tenho de bom. Vocês me ajudam?”.

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