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Entre eliminação do BBB e queda da Bolsa, como viver em dias como esses?

Universa

10/03/2020 04h00

(iStock)

Diante das notícias da home deste portal, tento me apegar ao caso do Drauzio e da Suzi, mas a queda da Bolsa de Valores leva meu clique. "O que é circuit breaker" é o que (acho que) preciso saber neste momento.

Eu não tenho dinheiro na Bolsa, mas tenho total consciência de que a queda do petróleo nos afeta ali na frente. O dólar prestes a bater R$ 5 também. Ainda me lembro da frase "quando a Dilma cair, melhora". Cadê?

É culpa do coronavírus, dizem. Lave as mãos, mergulhe no álcool gel, não tussa, não respire no metrô, não toque nas pessoas, não entre em pânico. É só uma gripe, eu escuto. Fecharam as escolas na Itália. Isole os idosos. Já, já passa.  O superministro da economia disse que está sereno, até entendo, ele já foi pra Disney este ano, né?

Esquece isso, Lia, diz o lado direito do meu cérebro. Hoje tem paredão no BBB. Ai deles (brasileiros que votam no programa) se tirarem o Babu! Negro, gordo, periférico. Só fala verdades. Eu odeio Big Brother. Alienação descabida pela qual nos empurram pessoas bizarras. Melhor voltar para as questões econômicas. 

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Uma crise sem precedentes se anuncia como aquela nuvem carregada que escurece a cidade e traz um vento sinistro. Cancelaram alguns trabalhos por causa do coronavírus. Cancelaram as viagens, o trabalho nas fábricas, as missas, a tal manifestação. Mas não era só uma gripe? Cadê serenidade?

Queria muito voltar para as notícias do BBB20, programa que não assisto, mas acompanho. Sim, é complexo, da mesma forma que é complexa nossa opção entre alienação e mundo real no dia hoje. 

Aposto que grande parte das pessoas que se apinham no vagão do metrô neste exato momento comigo não fazem ideia de que a Bolsa fechou. A Bolsa, esse lugar distante que prejudica empresas e investidores e ali na frente ferra o cidadão comum que nunca ouviu falar em "circuit breaker". 

Do coronavírus meus comparsas de metrô ouviram falar, não há dúvida. Tem uma moça de máscara, mas no vaivém do trabalho da maior metrópole do país não há espaço (literalmente) para seguirmos as recomendações que chegam pelo zap. Aqui só cabe a parte do "não entre em pânico". Que opções temos?

O liberalismo segue dando o ritmo da banda enquanto as perspectivas de quem precisa do Estado para não morrer de fome ou ter atendimento médico se reduzem a passos largos. E nós aqui, assistindo ao Big Brother. 

Vamos, gente, bora todo mundo falar de Big Brother, assim a gente não vê a merda que nos recai sobre a cabeça. 

É culpa do coronavírus, dizem. Eu confio no Dr. Drauzio. #ficababu

A redação está em polvorosa. Mas lá fora o mundo segue como se a gripe fosse nosso maior problema. 

O Boulos pede que fiquemos atentos. Então fiquemos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Comentarista na CNN Brasil, a jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008 no site da revista "TPM", onde foi também editora-chefe. Passou por publicações como "Isto É", "Veja SP" e "TRIP". É autora dos livros "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro", ambos editados pela Companhia das Letras. É mãe de quatro filhos e pode ser encontrada no Instagram @liabock e no Twitter @euliabock

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre notícias, sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o que mais parecer importante ao universo feminino.

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