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O que a gente pode tirar de bom de um possível surto de coronavírus?

Universa

05/03/2020 04h00

A gente já viu que o coronavírus está afetando as empresas e influenciando nas bolsas de valores e nas economias ao redor do mundo. Vimos também que ele está afetando os planos de férias das pessoas, principalmente aquelas com condições de escolher entre a Disney e Cachoeiro de Itapemirim. 

Mas, pensando nos países onde o vírus já se alastrou e pensando na possibilidade de o mesmo acontecer por aqui, como essa doença viral altamente contagiosa vai afetar nossas vidas?

Me interessou a análise do filósofo Slavoj Zizek que em artigo falou do poder subversivo do vírus (e não só desse, como dos próximos que devem nos atingir) que vai nos mostrar "outras formas de estar no mundo". 

Pensando aqui, isso significa um estilo de vida que mistura a modernidade da vida conectada e online com hábitos tradicionais e analógicos de divertimento, por exemplo.

É claro que o vírus não se alastrou (ainda) aqui no Brasil e essa perspectiva de isolamento e retração parece meio distante, mas se analisarmos os países, como a Itália, onde a doença já fez milhares de vítimas, veremos que eles estão falando em fechar todas as escolas e universidades locais. Desse ponto conseguimos fazer uma projeção.

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Menos contato social significa menos restaurante, menos balada, menos shows, menos cinema, menos shopping, menos viagem, menos abraço, menos beijo, menos encontro por aplicativo, menos pracinha com as crianças e por aí vai. E o que as pessoas vão fazer no lugar dessas coisas?

Leitura de livros, refeições e atividades em casa e conexões virtuais estão entre as coisas que me vêm em mente. E isso não parece de todo mal. Claro que se pensarmos nos motivos é péssimo, mas estou num exercício positivista de ver o lado bom. Dessas perspectivas, esse isolamento tem grandes chances de nos voltar para atividades diferentes do que estamos acostumados e isso pode ser bom.

Faça um exercício e pense: o que você faria se fosse obrigado a se confinar em casa por um longo período? Jogos de tabuleiros, aquele doce que nunca dá tempo de cozinhar e livros são o que penso para uma casa que, como a minha, tem adultos e muitas crianças. 

Jogos de videogame online, como o Fortnight, me parece que também ganhariam força, seriam uma maneira de conviver estando à distância. Certamente crianças e jovens, que já vivem a vida online e offline como se fosse a mesma coisa, teriam menos dificuldade de lidar com esse confinamento, mas me pego pensando nos idosos, que no caso do coronavírus são o principal grupo de risco. Seria uma ótima oportunidade de ensinar a vovó, que ainda não sabe, a usar as redes sociais. Será que o vovô curtiria uma partida de jogo online com os netos que estão distantes? 

Será que cansaremos de usar o celular e finalmente conseguiremos terminar aqueles livros empilhados na cabeceira?

Grandes catástrofes têm um poder real de mudança social. Talvez valha a gente perder um tempinho pensando em como vamos usar o coronavírus a nosso favor.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Comentarista na CNN Brasil, a jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008 no site da revista "TPM", onde foi também editora-chefe. Passou por publicações como "Isto É", "Veja SP" e "TRIP". É autora dos livros "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro", ambos editados pela Companhia das Letras. É mãe de quatro filhos e pode ser encontrada no Instagram @liabock e no Twitter @euliabock

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre notícias, sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o que mais parecer importante ao universo feminino.

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