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Briga de casal esquenta o sexo?

Lia Bock

19/11/2019 04h00

(iStock)

Sexo no casamento é um misto de aconchego e desafio, já que, na mesma medida em que vai ficando gostosinho, vai diminuindo a frequência. 

Não é segredo pra ninguém que manter a chama exige algum esforço.

Tem uma porção de casais que, na vontade de não deixar o fogo partir, recorre a uma técnica milenar em que o sexo serve para fazer as pazes. Quando isso acontece naturalmente e as pazes são feitas com glamour e gozo, é ótimo. Mas será que começar a cavar brigas e alimentar rusgas porque depois do estresse vem a recompensa é saudável?

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Tendo a achar que esse tipo de dinâmica tem uma pinta de adição. A gente começa porque "ah… vale pena" e, quando vê, está totalmente viciado e enrolado num modus operandi nada saudável.

Casais que brigam podem até transar mais, mas a pergunta é: será que vale a pena?

Claro que uma certa tensão pode fazer bem à dinâmica amorosa do casal, mas levar isso às últimas consequências pra que se tenha uma recompensa no final me soa meio suicida. A chance desse estresse minar o que tem de bom no casal é grande e, enquanto durar essa relação, péssimo e bom podem se entrelaçar de maneira tão intensa que talvez não consigam mais se soltar. Tem um cheiro de vício em drogas pesadas, não tem?

Tendo a achar que a vida a dois precisa ser mais agradável do que isso. Já temos questões suficientes compartilhando os filhos, os boletos e os ex. Se pra transar a gente precisar passar por um calvário, acho que começa a não valer a pena.

Porque pode até ser que, depois de transar e fazer as pazes, o casal consiga ficar numa boa, mas, dentro de cada um, fica uma cicatriz que vai se somando a outra e a outras e assim infinitamente até que ficam tão visíveis que viram a marca do casal. Vira a dinâmica primordial e, nessa hora, tudo que há de bom acaba ficando pequeno. E o sexo, que é pra ser uma coisa deliciosa, vira a consequência do caos, do estresse e da tristeza. E, puts, sexo é tão maior do que isso, não é mesmo?

Tem alguns casais que vivem essa dinâmica e nem percebem. Pode ser falta de autoconhecimento e de análise (conversa e troca) da dupla, mas podem também ser aqueles casos de negação. As pessoas fingem que não percebem a dinâmica nefasta para não ter que lidar com o problema. Porque sim: é um problema. 

Brigar e se desentender fazem parte da vida a dois e temos que lidar com nossas diferenças, mas alimentar esse lado (mesmo que sem perceber) pra que o sexo aconteça é destruidor. Sempre tem um que se ferra mais nessa dinâmica e é esse que vai sair destroçado no final. E, vejam, muitas vezes o outro vai embora porque o um está justamente despedaçado. Percebem a doença: a pessoa te destrói e depois te deixa porque você está destruído.

A vida precisa de sintonia, de apoio, de compreensão, de leveza e gargalhada. E claro que sexo é essencial, mas não a qualquer custo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.

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