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Dividir vale-nights e a louça é suficiente para um casamento equilibrado?

Lia Bock

12/11/2019 04h00

(iStock)

Há quem diga que, pra um casamento ser equilibrado, os dois devem ganhar a mesma coisa ou dividir as tarefas tal e qual, religiosamente, ao meio. Os dois têm que ter o vale-night pra cervejinha com amigos e encher o pneu do carro quando forem abastecer. 

Mas e se um não dirige? E se o outro não tem essa necessidade semanal de sentar no bar com os amigos? E se a mulher tem um emprego fixo e ganha bem mais? 

Equilíbrio no casamento é uma coisa meio mágica e não pode ser visto como algo tão cartesiano. Até porque estamos falando de duas pessoas que compõem uma dupla, e a unicidade que trazemos é fundamental pra que a coisa dê certo. Respeitar o jeito, as vontades e os desejos do outro é muito importante para que cheguemos na tão almejada relação equilibrada.

Mas, pensando bem, talvez o certo fosse falar em harmonia do casal, já que equilíbrio traz essa ideia de mesmo peso, e até de espelho, que não funciona na vida marital. 

A ideia de harmonia tem mais a ver com todos estarem se sentindo bem dentro de um acordo pré-estabelecido, traz a essência do equilíbrio, mas sem a necessidade da divisão exata, ao meio, com coisas iguais dos dois lados.

E, vejam, não estou aqui dando uma desculpa pra marmanjo dizer que lavar a louça e fazer o lanche das crianças é sempre função da mulher. Pessoalmente, acredito que as divisões domésticas devem, sim, ser partilhadas com equilíbrio. Acho fundamental todo mundo saber o trampo que dá limpar, lavar, cuidar, arrumar. Estou falando de algo mais subjetivo que se refere ao modo como existimos no mundo. 

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Nem sempre as vontades de um são as vontades do outro. E, nessa hora, como atender a tudo mantendo a harmonia? O importante não é sair pra tomar uma cerveja com os amigos só porque o outro faz isso com frequência. É você localizar em si seus desejos e suas vontades para negociar o melhor encaixe. 

Claro que é preciso cuidado com os planos comuns. Um casal precisa fazer coisas juntos e, no fim do percurso, querer chegar ao mesmo lugar. É disso que se trata qualquer parceria na vida. Mas, dentro dessas coisas comuns e que caminham para um lugar acordado por ambos, podemos, sim, ter nossas diferenças. Aceitar que nossas necessidades não são as mesmas que as do parceiro ou parceira pode ser libertador. 

Sobre a autora

Comentarista na CNN Brasil, a jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008 no site da revista "TPM", onde foi também editora-chefe. Passou por publicações como "Isto É", "Veja SP" e "TRIP". É autora dos livros "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro", ambos editados pela Companhia das Letras. É mãe de quatro filhos e pode ser encontrada no Instagram @liabock e no Twitter @euliabock

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre notícias, sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o que mais parecer importante ao universo feminino.

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