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Lia Bock

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Existe periodicidade adequada para o sexo?

Lia Bock

05/09/2019 04h00

(iStock)

Quantas vezes por semana você, que está numa relação estável, transa? Muita gente se faz essa pergunta e a faz também às pessoas próximas. Todo mundo quer saber se está na média ou, claro, se o descompasso com o companheiro ou a companheira só acontece por ali. 

Porque nem sempre um casal pensa da mesma forma nessa hora. É comum um querer transar bem mais do que o outro e daí temos um problema. A questão não é se estamos na média brasileira ou da turma, mas se temos o mesmo ritmo que o nosso cônjuge. 

Tem gente que acha que transar uma vez a cada 15 dias tá ótimo. Mas, se a pessoa que dorme ao lado quer transar dia sim dia não, o descompasso pode ser bem desagradável.

Tá, mas e daí, faz o quê? 

Bom, antes de sair procurando por um (ou uma) amante achando que tem a melhor das justificativas, é bom ter uma ou várias conversas francas. Esse tipo de divergência sexual precisa ficar claro, ser colocado na mesa. Porque muitas vezes a gente acha que o outro está percebendo tudo, e ele não está. Nada do que não é dito pode ser considerado como sabido. "Ah, mas ele sabe que eu quero transar muito mais. Ele percebe." Não esteja tão certa. "Ela só quer transar no final de semana e isso me irrita, certeza que ela saca." Será? Cada um tem um jeito diferente de ler o mundo, não dá pra contar com a interpretação de sinais. 

A conversa nem sempre é fácil, mas pode ser libertadora porque abre uma porta maravilhosa para falarmos não só sobre frequência mas também sobre a qualidade do sexo que estamos praticando. E as duas coisas andam de mãos dadas. 

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A preguiça de transar pode, claro, estar ligada a algo pessoal, depressão, problema no trabalho, falta de sono por causa das crianças ou desânimo com o casamento de forma geral. É preciso localizar o motivo, e a conversa beneficia o cuidado de todos esses quiprocós mais patológicos, digamos. Mas, muitas vezes, a falta de vontade de transar está ligada com a qualidade desse sexo praticado dentro de uma relação estável. 

É muito comum os casais irem deixando de beijar na boca, de seduzir o outro, de fazer a dança do acasalamento e de praticar as preliminares. E daí, meus amigos, dá preguiça mesmo. Pra muita gente, principalmente para as mulheres, essa transa apenas para desopilar não tem muita graça. 

"Ah, mas vai ter que chupar toda vez? Vai ter que ter preliminar toda vez?"

Vai!!

E, digo mais, preguiça de preliminar é pior do que preguiça de transar –apesar de as duas estarem intimamente ligadas.

Como bem diz a magnânima Cindy Gallop, os homens só deveriam penetrar as mulheres quando elas estiverem pedindo pelo-amor-de-deus pra que isso aconteça. Ou seja, depois de estarem superexcitadas e quentes. 

E, me diga, você faz isso?

Aqui não importa se estamos falando de sexo hetero ou homossexual. Usei o exemplo apenas de forma ilustrativa. O ponto que quero levantar é o da dedicação ao pré-sexo, daquelas coisas que ligam o botão da vontade. Porque muitas vezes o outro não está afim de transar até você despertá-lo. Mas isso passa longe daquele sexo automático e rápido que (eu sei) para alguns tá mais do que suficiente. 

Você está achando muito estranho falar sobre tudo isso? Estranho é arrumar outra pessoa pra transar fora do casamento sem nem mesmo saber o que se passa entre o casal. Fala sério, né?

Para seguir no Instagram: @liabock

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.

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