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Afirmação de Bolsonaro e assédio no Uber: uma semana triste para ser mulher

Universa

20/02/2020 04h00

foto: iStock

Nesta semana, dois episódios nos desanimaram – mas, ao mesmo tempo, nos empoderaram como mulheres.

O primeiro deles foi quando uma menina de 17 anos filmou o assédio de um motorista de aplicativo, revelando algo ao qual estamos todas muito acostumadas. E o outro foi quando o presidente da República insistiu numa afirmação falsa de que uma jornalista teria tentado tocar informação por sexo.

No caso do motorista, o que mais chama a atenção é a defesa dele. Em entrevista a um canal de televisão, o cara afirmou que a moça "se ofereceu" e que estava usando "um shortinho curto, tipo Anitta". Estamos cansadas de afirmar que roupa (ou a falta dela) não é um convite, assim como ser simpática ou estar bêbada também não são.

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Fora isso, precisamos falar sobre esse tal "se oferecer". Porque paquera eu conheço, dar em cima também, mas o "se oferecer", confesso, não sei muito bem o que é. Ele parece estar um passo atrás do flerte, uma coisa quase sem querer. E daí vem a parte importante: se é sem querer, então não é! 

O oferecimento é, na verdade, a desculpa que os homens usam quando não conseguem justificar seu assédio. É a maneira que encontram de culpar a vítima por suas atitudes. É um golpe baixíssimo e antigo, que precisamos combater.

Por isso, toda vez que você achar que uma mulher está "se oferecendo", pergunte-se se ela está mesmo ou se é você que gostaria que ela estivesse. E lembre: a roupa que ela escolheu para sair de casa não foi pensada pra você – até porque, se fosse isso, ela estaria se oferecendo pra todo mundo, não é mesmo? Ser gentil e educada também não pode entrar nessa categoria, afinal tratar os outros com cordialidade é algo ao qual todos somos estimulados. 

Essa história da menina em Porto Alegre desce ainda mais quadrada  quando o presidente da República estimula a violência contra a mulher. Sim, porque acusar a jornalista Patrícia Campos Mello de tentar trocar sexo por informação sem ter nenhuma prova é muito grave. A "Folha de S.Paulo" publicou diversas trocas de mensagens entre a jornalista e Hans River do Nascimento mostrando que quem flertou foi ele. Nas mensagens não há indícios de que essa acusação do rapaz seja verdadeira. Mesmo assim, Bolsonaro insiste na difamação da jornalista, dando um péssimo exemplo no que diz respeito à disseminação de notícias falsas e, no fim, estimulando a sexualização feminina que já nos é tão cara socialmente.

É indignada com as notícias que peço potência. Porque é nos momentos difíceis que a gente a gente arruma força para se empoderar, exigir respeito e dizer: basta!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Comentarista na CNN Brasil, a jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008 no site da revista "TPM", onde foi também editora-chefe. Passou por publicações como "Isto É", "Veja SP" e "TRIP". É autora dos livros "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro", ambos editados pela Companhia das Letras. É mãe de quatro filhos e pode ser encontrada no Instagram @liabock e no Twitter @euliabock

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre notícias, sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o que mais parecer importante ao universo feminino.

Blog da Lia Bock