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Por que todo mundo fica louco em dezembro?

Lia Bock

03/12/2019 04h00

(iStock)

Assim que adentramos o mês de dezembro, as buzinas soam com mais frequência e as pessoas ficam nervosas e atribuladas. O fenômeno poderia ser uma invenção humana contornável, mas não: há uma cultura de ansiedade instalada e fugir disso é difícil.

A forma como lidamos com o fim do ano tem algo de (bem) maluco. Por algum motivo inexplicável, esquecemos que a passagem é um simbolismo e lidamos com ela como se fosse o fim iminente. Queremos ver todos os amigos que não vimos o ano todo e precisamos tomar todas as cervejas que ficaram pelo caminho como se o virar do ano fosse fechar uma porteira e quem a gente não viu fosse cair pra fora da nossa vida no ano que está pra começar. 

Se a gente pensar que no fim do ano já tem os preparativos para o Natal, com comida e presentes; já tem os preparativos para o Ano-Novo, com viagem e grupo extra de WhatsApp; já temos os eventos de formatura, fechamento e apresentações nas escolas e, claro, já temos os balanços necessários no trabalho, nos daremos conta de que colocar qualquer outra coisa nesta equação é absolutamente descabido. 

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Isso sem falar naqueles doidos que encafifam que precisam terminar a série a que estão assistindo antes que o ano acabe! Calma, gente! É só mais um ano que está terminando, não as nossas vidas. 

Mas tanto essa loucura está institucionalizada que muitos psiquiatras preferem esperar o começo do ano para diminuir a dose de medicamentos antidepressivos dos pacientes mesmo que, em dezembro, já seja possível fazer esse movimento. No fim do ano, não se mexe em nada que não seja absolutamente necessário. 

Não é uma loucura que a gente fique tão louco com o fim de alguma coisa que, na verdade, não acaba de fato? Quer dizer, acaba, mas logo entra outro e segue o baile. 

Lembremos isso quando estivermos oprimidos por listas quilométricas de afazeres e compromissos inadiáveis que dezembro nos traz!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.

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