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A Fazenda 11 começa hoje: meus pêsames a todos nós

Lia Bock

17/09/2019 04h00

(iStock)

Está em todos os portais de notícias: os participantes de A Fazenda 11 já estão confinados na sede do reality show da Record e, na noite desta terça (17), teremos a estreia. Parece até que a lista dos participantes "vazou" antes da hora e o punhado de subcelebridades caiu na boca do povo causando burburinho na internet. 

E o que isso significa? Que estamos prestes a adentrar mais um reality show duradouro que drena a energia das pessoas e inunda a internet com a banalidade vazia e de utilidade duvidosa. 

Parece queixa de gente amarga? Talvez seja também. Mas a verdade é que A Fazenda e Big Brother Brasil me soam como pílulas da ignorância dadas gratuitamente à população. Vamos sendo envolvidos nesses programas, eles dominam nossas conversas, nossos feeds e a home dos grandes portais enquanto assuntos importantes vão sendo deixados de lado. 

E é uma coisa que se retroalimenta. Veja: a gente se interessa, então a mídia se dedica a cobrir e, quanto mais a mídia cobre, mais a gente se interessa. E, quando vemos, estamos discutindo provas, líderes e picuinhas acéfalas em vez de estarmos prestando atenção no que está acontecendo com o país. E olha que não falta coisa acontecendo no Brasil.

Eu sei que diversão é uma das poucas coisas que nos resta na vida e sou totalmente favorável a ela. O que me incomoda é quando elas roubam espaço de discussões importantes, como fazem esses reality shows. 

E convenhamos, eles viciam e mobilizam! Já vi gente bater boca em nome dos participantes do programa. Queria ver essa energia gasta com temas mais importantes para a sociedade.   

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Queria ver as pessoas discutindo e tuitando sobre a campanha Não Somos Alvo com a mesma intensidade com que discutem a prova do líder ou a desavença na alimentação dos porcos. Você está nos 73% que são contra o armamento da população? Você sabe o que os projetos de lei que tramitam no Congresso hoje podem fazer com o país? Ou só vai pensar no assunto quando der de cara com seu vizinho mala com um trabuco na cintura?

Usei esse exemplo porque essa campanha apartidária da sociedade civil coincidentemente também começa hoje. 

E, novamente, nada contra as pessoas que escolhem assistir à Fazenda. Eu assisto a seriados da Netflix e tem gente que assiste a novela. O problema é a maneira como esses realitys contaminam as notícias e as discussões drenando uma energia social que pode ser importante para discutir o que realmente importa. 

E lá vamos nós adentrar esse túnel novamente. Seja o que Deus quiser.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Hoje comentarista na CNN Brasil e editora da plataforma Hysteria, a jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008 no site da revista "TPM", onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como "Isto É", "Veja SP" e "TRIP". É autora dos livros "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro", ambos editados pela Companhia das Letras. É mãe de quatro filhos e também colunista da revista "Crescer".

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre notícias, sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o que mais parecer importante ao universo feminino.

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