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Apps de paquera: como usar

Lia Bock

03/09/2019 04h00

(iStock)

Eu sou uma entusiasta dos apps de paquera. Antes mesmo da tecnologia assumir a missão de cupido eu já curtia formas lowtechs de dar match, como por exemplo a velha e boa indicação dos amigos. Tem gente que acha que qualquer tipo de "interferência" atrapalha a naturalidade dos acontecimentos. Discordo fortemente. Acho que tanto a indicação como os algoritmos são bem úteis para gente otimizar o acasalamento, seja ele por uma noite e nada mais ou pra fazer uma familinha bonita.

Mas é preciso usar a tecnologia com inteligência. Usar os apps de forma automática e randômica e só se guiar pela aparência é um erro enorme. Ficar dando like adoidado no Tinder seria o mesmo que dar em cima de todas as pessoas que passam na sua frente numa festa. Ninguém faz isso, certo? Pois bem. É preciso inteligência e estratégia. Se não a chance de você achar que o aplicativo é uma merda, é enorme. Mas ruim mesmo é o jeito que muita gente usa. É um erro achar que Tinder, Happn, Thresone, Grindr e afins são roletas russas. Não são! É preciso enxergá-los como facilitadores. Ou seja, ele não faz nada sozinho, é seu uso que vai determinar a eficiência do app. E ansiedade pode ser a maior inimiga na hora do match. Diria que equivale a beijar a primeira pessoa que aparece na sua frente numa balada. 

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A ideal é fazer um uso calmo, curtindo. Olhar todas as fotos e infos da pessoa antes dar o like, se possível, stalkiar o Instagram e, se temos amigos em comum, dar uma assuntada se a pessoa é bacana e se combina com a gente. Estratégia e moderação. Um monte de match não leva a lugar nenhum, mas um bom match pode render uma historinha divertida e gostosa.

E quando aconteceu o match a estratégia deve ser ainda mais fina. Antes de marcar um encontro é preciso ver se esse match é match mesmo ou se foi engano. Acontece muito, né? Porque mesmo para um noite só, queremos uma coisa gostosa e que não faça a gente se arrepender de ter entrado nos aplicativos. Falar sacanagem é bom, pra ver se a vibe bate. Mas falar de política e de filosofia de vida também ajuda a ver se a pessoa combina com a gente. O papinho tá bom? Você tá super animado ou animada com a conversa? Pensa na pessoa durante o dia? E até sente saudade do convercê? Pimba: marque o encontro! Caso a conversa não flua ou você não goste do estilo (rápido ou lento demais) do interlocutor: um abraço e bora partir pra outros lados.

    E pra facilitar todo esse jogo hightech fazer um perfil que entregue de fato quem você é ajuda muito. E isso não significa encher o app de selfies no elevador e com seus melhores ângulos. É preciso entregar nas linhas e nas entrelinhas que somos. Fotos que mostrem não só a nossa cara, mas a nossa vibe são essenciais. Esporte, bicho de estimação, viagem, livros, detalhes da casa, tudo que fale um pouco do nosso jeito ajuda a filtrar pessoas que não tem nada a ver. 

    E vamos falar do texto? Sei que muita gente tem uma preguiça enorme de escrever sobre si ou acha isso bobo. Ledo engano. Qualquer palavra, poema, frase de efeito ou de significado non sense diz algo sobre nós. E não precisa fazer textão (a não ser que textão seja "muito você"), podem ser palavras soltas que ajudem a desenhar o seu perfil. "Gato, praia, dois filhos, comida japonesa, caipirinha de morango, canudo nem pensar, cozinheiro de final de semana" e afins já ajuda bastante. Mas eu, pessoalmente, não deixaria de fora posição política e possíveis restrições. Na versão lésbica dos apps, por exemplo, tem um monte de mina que deixa areal: "Só dá like se for sapatão", na tentativa de afastar as que estão apenas atrás de experimentação gay. Acho muito válido pra evitar o desgaste com encontros que te levam pra lugares que você não quer ir. E não precisa ser agressivo, dá pra avisar que preferimos vegetarianos, surfistas que madrugam, baladeiros e rave ou fãs de rock'n'roll sem ser rude.

     "Ah, mas tudo isso dá muito trabalho". Gente: dar match na vida dá trabalho! A tecnologia só facilita, o resto é com cada um de nós. Às vezes acho que as pessoas querem milagre dos apps, mas nesse caso é melhor usar a velha tática do Santo Antônio de ponta cabeça mesma. 

     

    ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

    Sobre a autora

    A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

    Sobre o blog

    Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.

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