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Marta vendeu a boca? Pois que venda o corpo todo

Lia Bock

19/06/2019 12h54

Phil Noble/Reuters

 

De onde é seu vestido? De quem é o sapato? Quem corta seu cabelo? Qual a cor do batom? As mulheres que circulam pelos tapetes da fama sempre respondem a essas perguntas.

Muita gente questiona essa dinâmica, inclusive eu, já que há coisas bem mais interessantes para se perguntar a uma atriz, cantora ou atleta do que "de onde é seu brinco?" (e afins). Porque, verdade seja dita, incomoda ver ganhadoras de Oscar e batedoras de recorde sendo resumidas a cabides.

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Mas vendo todo o quiprocó em cima do batom de Marta, a maior artilheira de todos os tempos em Copas do Mundo, revisitei este incômodo e acho que mudei de opinião. Acompanhem.

Se as minas vão ser interpeladas de qualquer maneira sobre o que vestem e as cores que escolhem, por que não usar isso em causa própria? Não é novidade que mulheres ganham menos que os homens pelos mesmos trabalhos, então, o que estou dizendo é que se existe a possibilidade de acordos comerciais que paguem para que as mulheres respondam a essas perguntas (fúteis, dentro do contexto geral), porque não tirar proveito deles?

Se o mundo vai dizer "Uau! Marta está de batom! Que cor é essa? De que marca?", eu acho mais que justo ela levar milhões por isso.

Se é pra ser cabide, que seja por um bom montante de dinheiro.

E, levando este raciocínio para o tapete vermelho, eu acho que diretoras e atrizes deveriam fazer o mesmo. Com essa grana vai dar pra financiar vários projetos que, historicamente, recebem menos grana do que os dos colegas homens.

"Nossa, Lia, você está falando pra elas se venderam?". Sim! Estou falando que se tem gente querendo comprar esse potencial estético, deveríamos mesmo vendê-lo. Não estou falando sobre vender nossas almas e nem nossos princípios, ok? Apenas nossos corpos e todo seu potencial de cabide.

Eu espero imensamente que Marta tenha ganhado muito dinheiro com essa ação. Todo aquele dinheiro que ela não ganhou com o patrocínio na chuteira por se recusar a receber menos que os jogadores. E espero também que a Fifa tenha vergonha na cara pra não atrapalhar esse atalho que ela pegou por (nada menos) que uma remuneração justa.

Sobre a autora

Comentarista na CNN Brasil, a jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008 no site da revista "TPM", onde foi também editora-chefe. Passou por publicações como "Isto É", "Veja SP" e "TRIP". É autora dos livros "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro", ambos editados pela Companhia das Letras. É mãe de quatro filhos e pode ser encontrada no Instagram @liabock e no Twitter @euliabock

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre notícias, sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o que mais parecer importante ao universo feminino.

Blog da Lia Bock