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Coronavírus vai mexer com a vida dos casais. Estamos preparados?

Lia Bock

17/03/2020 04h00

(iStock)

Famílias numerosas que se esbarram no banheiro, casais que se evitam já algum tempo, pessoas animadas que estão cada dia num bar com uma companhia diferente, serial tinders e crianças hiperativas: em breve estaremos todos confinados em nossas próprias casas. E isso significa conviver, conversar e claro, mergulhar em nossos problemas. 

E o que não falta neste mundo é casal com problema, né, minha gente?

Temos problema porque vivemos um momento peculiar no qual casamos por amor e separamos por ódio. Fazemos festa para celebrar a união como no século 19, mas queremos manter uma vida sexualmente diversificada no melhor estilo amor livre do século 21. Alguns têm amante, outros não têm tesão no parceiro e tem a turma do "estamos juntos por causa das crianças" – e, agora, estaremos todos em casa, nós e nossos problemas de casal regados ora pela paranoia e ora pelo clima de "não é comigo" que chega pelas redes sociais. Nós e aquela conversa que estamos adiando há anos. Nós e aquela transa chocha que faz correr uma lagriminha, nós e a falta da transa até mesmo chocha, nós e tudo que estava entalado na garganta há um bom tempo.

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A iminência de uma epidemia como a que vivemos agora me traz a imagem de uma pessoa na praia que vê ao longe um tsunami se aproximar e tem tempo de decidir o que fazer. De certa forma – e por estarmos acompanhando o desenrolar da contaminação e das medidas em países onde o vírus chegou antes –, estamos sendo avisados do que está por vir.

E não vou falar aqui das UTIs lotadas ou da necessidade de proteger os vulneráveis e de lavar as mãos, porque o dr. Drauzio faz isso bem melhor que eu, mas me atenho à parte comportamental que vem a reboque de um problema de saúde pública. 

Vejo nesse confinamento várias oportunidades. Uma delas é a de resolvermos algumas questões do casal que estava fora da pauta por medo, falta de tempo ou de coragem. Vamos viver um Big Brother em família e é bom que estejamos preparados para lidar com isso. Melhor ainda é usar essa oportunidade para melhorar os relacionamentos. E isso pode significar o entendimento de que é melhor separar ou de que, no fundo, somos tão legais juntos que podemos fazer melhor do que a gente vem fazendo nos últimos tempos.

Esse período em casa, frente a frente com nossos parceiros e parceiras, vai abrir uma possibilidade maravilhosa para conversas difíceis que temos evitado. E é bom que a gente use isso da melhor maneira – o que significa conversa pacífica, amorosa e sincera. Muita gente tem dificuldade de ser sincero com o outro, por medo de magoar ou de estragar tudo. Mas a verdade é muito libertadora e deveríamos exercitar. 

Vai ser uma baita oportunidade de colocar o sexo em dia também. Transar gostoso e sem pressa, valorizar os pequenos gestos sexuais e trabalhar aquele esquenta que começa de manhã e vai num crescente até a hora do vamos ver de verdade. Porque me diga, há quanto tempo você não faz sexo como se estivesse de férias na Bahia dentro da sua própria casa? 

E por que acho que com uma desgraça dessas circulando conseguiremos agir assim? Porque uma epidemia como a do coronavírus (que não é o ebola nem Chernobyl) faz com que precisemos pensar no coletivo e cuidar dos nossos, e isso gera um sentimento positivo que, por sua vez, pode ser ótimo para conversas sinceras e transas amorosas.

Mas e quem está solteiro? E os adictos em Tinder, como fazem? Daí a coisa é mais complexa. Uma possibilidade pode ser convidar alguém pra passar essa quarentena junto, a outra é investir no sexo virtual abusando de brinquedinhos, vibradores e webcam. "Ah mas eu não sou desse tipo". Então está aí uma ótima oportunidade de fazer uma coisa nova e diferente. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Comentarista na CNN Brasil, a jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008 no site da revista "TPM", onde foi também editora-chefe. Passou por publicações como "Isto É", "Veja SP" e "TRIP". É autora dos livros "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro", ambos editados pela Companhia das Letras. É mãe de quatro filhos e pode ser encontrada no Instagram @liabock e no Twitter @euliabock

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre notícias, sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o que mais parecer importante ao universo feminino.

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