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Se a mágica do Carnaval durasse o ano todo, viveríamos num lugar melhor

Universa

25/02/2020 09h30

(iStock)

No Carnaval pode pegar o metrô de maiô e meia-calça arrastão, pode beijar desconhecidos e desconhecidas, pode botar os seios no sol e dar beijo coletivo. É bonito de se ver. O amor brilha nos blocos e ninguém diz que a saia era curta demais.

Me emociona e ao mesmo tempo me intriga. Por que precisamos de dias específicos pra isso? Por que no resto do ano a moça com "shortinho tipo Anitta" está se oferecendo? Por que no restante do ano se amar em público pode causar confusão se seu par for do mesmo sexo que você?

Não acho que sejamos hipócritas, mas me pego pensando onde estão e o que fazem nos outros dias do ano essas pessoas todas que deixam as ruas coloridas nos dia de folia. 

Somos os mesmos cidadãos que vão e voltam do trabalho de ônibus, que levam as crianças na escola e almoçam no quilo. Somos os mesmos que assistem a novela e o Big Brother e maratonam os seriados. Mas nesses dias, por algum motivo somos diferentes, nos permitimos.

É bonito, mas é triste também. Por que não nos permitimos mais? 

Que mágica é essa que opera na nossa cabeça e, findos os dias de festa, acaba para que nos encaixemos novamente na caixinha careta de sempre? Quem é da igreja volta pra igreja, quem é da ioga volta pra ioga e quem é, de fato, livre segue exercendo sua liberdade agora oprimido por uma sociedade tradicional e bem comportada que vai e volta.

No fundo, é esse conceito de bem comportado que está errado. É a tradição que nos prende num lugar muito pior de se viver. Um lugar com muito mais preconceito, mais desavenças e pseudorregras que achamos que precisamos seguir. 

Cada Carnaval que entra (e depois sai) me faz pensar sobre o assunto. Mas faz ver como temos potencial de ser uma sociedade melhor. 

Alguns vão dizer: "Mas tem assédio", "tem bêbado sem noção". Mas, gente, assédio tem o ano inteiro e bebum enchendo o saco tem toda sexta e sábado nas boates e bares da vida. O que não tem é uma certa aura amorosa e livre que reverbera forte no Carnaval.

E se você não sabe do que eu estou falando, talvez esteja vendo demais o mundo através das homes dos portais. Tira um pouco de roupa, se lambuza no glitter e põe a cara na rua pra entender que mágica é essa, a mágica do Carnaval.  

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Comentarista na CNN Brasil, a jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008 no site da revista "TPM", onde foi também editora-chefe. Passou por publicações como "Isto É", "Veja SP" e "TRIP". É autora dos livros "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro", ambos editados pela Companhia das Letras. É mãe de quatro filhos e pode ser encontrada no Instagram @liabock e no Twitter @euliabock

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre notícias, sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o que mais parecer importante ao universo feminino.

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