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Signo é mesmo determinante na nossa personalidade? O meu deu uma bugada

Lia Bock

11/07/2019 04h01

(iStock)

Resisto à ideia, muitas vezes, de que a posição que os astros estavam no céu quando nasci seja determinante no meu jeito de ser. Penso: "isso não tem o menor cabimento".

Mas daí, eu vou me pensando enquanto canceriana e percebo que eu não poderia ser de outro signo. Emocional, tudo aqui passa pelo coração. Foram os astros. Certeza. Olho em volta e acho minha irmã muito geminiana, obstinada em metas altas, e percebo aquela luz dos leoninos muito óbvia na minha mãe.

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Me pergunto, então, se essa não é uma faca de dois gumes. De um lado, o céu influenciando a gente e, do outro, o que dizem de nosso signo sendo grudado em nós.

Porque por mais que não liguemos muito para astrologia, todos nós praticamente nascemos sabendo nossos signos e suas características básicas. A gente convive com o que o nosso signo diz de nós desde cedo e é impossível que esse martelar não nos influencie, não é mesmo?

Passei quase 30 anos da minha vida achando que meu ascendente era Leão. Uma amiga perguntou que horas nasci, olhei a data exata no meu livro do bebê e ela cravou. Eu tinha 16 anos. Fazia todo sentido. Sempre tive uma coisa meio aparecida, meio pombagira que só poderia estar em alguém de Câncer se o ascendente fosse Leão. Pois bem. Assim foi até os 28 anos, quando fiz um mapa astral real e descobrir que, na verdade, meu ascendente é Peixes. Ops.

Meu mundo caiu. Me construí com o ascendente em Leão e, de repente, toda aquela intimidade com o palco não tinha mais lugar. E percebam, fui de uma dupla água e fogo (Câncer e Leão) para água com água (Câncer e Peixes). Enfim, meu sistema de compreensão de mim mesma no ramo astrológico deu uma bugada.

Eu não sabia nada de Peixes, e parte da minha identidade era ter o ascendente em Leão.

E, aqui entre nós, acho que tenho muito deste ascendente que me adotou no caminho. Muita coisa em mim foi moldada por 12 anos acreditando ter Leão correndo pelas minhas veias – ou quase isso.

Por isso digo que além do efeito dos astros em si, há o efeito social de ser de um ou de outro signo. Meu filho tem 10 anos e acho ele de fato muito sagitariano, com um desapego profundo, mas que não impede o potencial de comprometimento. Não fico falando isso pra ele, até porque estou longe de ser especialista no assunto, mas tenho certeza que só de eu colocá-lo na casinha de Sagitário, já faz com que ele se molde por essas arestas.

Sei que os astrólogos podem torcer o nariz, mas os estereótipos de cada signo são imperativos e é impossível que essa imposição não nos molde. É mais ou menos como a discussão do que veio primeiro, o ovo ou a galinha, e, no fundo, não importa muito. Contanto que virginianos sigam sendo metódicos e escorpianos, sedutores. 

 

 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.

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