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Lia Bock

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Ter amante é uma medida conservadora e vai sair de moda

Lia Bock

22/01/2019 04h00

(iStock)

Vira e mexe ouço falar de alguém que tem amante. Muitas vezes é quando o parceiro descobre e a coisa explode. Outras é quando um amigo ou amiga traidor (a) faz a confidência. E não estou falando daquela traição fugaz de fim de casamento. É amante mesmo, coisa de anos.

Fato é que ainda tem bastante gente operando neste modo antigo. Pleno 2019 e com tantas formas de amor… Não é exagero estranhar este jeito oldschool de se amar. Desculpa, pessoal, mas é antiquado mesmo.

Ter amante é uma medida conservadora – no sentido mais estrito da palavra. É a vontade do sujeito ou sujeita de manter tudo como está. Conservar sem pensar se há questões (limitações ou desequilíbrios) na relação, sem fazer algo para mudar enquanto casal e preferindo simplesmente abrir uma outra frente paralela.

Basta reparar que a maioria das pessoas que tem amante finge que está tudo ótimo. Não há problemas na relação e nem muito a ser conversado. O amante é… é outra coisa. Sei! E o mais intrigante é que são bem essas pessoas as que mais pregam a monogamia a qualquer custo. Porque quem tem amante gosta mesmo é de viver na falsidade.

Neste ponto há muito o que aprendermos com a turma do poliamor e do amor livre. Parece muito moderno, mas no fundo é só honestidade mesmo!

Um jeito de assumir que se existem outros desejos e dar vazão a eles sem enganar ninguém. Porque, claro, ter outra pessoa não é o problema. A questão é fazer isso escondido, fingindo. Enganar é que pega.

Acho que com o tempo ter amante vai cair em desuso, vai virar coisa de tiozinho, coisa que só nossos avós faziam (tomara!). Porque com a conectividade, a biometria e tecnologias afins, vamos ser sugados pela política da transparência e ter amante vai dar tanto trabalho que nem quem quer muito vai achar que compensa. Fora que essa falta de sinceridade deve sair de moda mesmo.

Amante é uma coisa que vem dos tempos em que os casamentos não podiam acabar e não havia motivação para enfrentar os problemas da relação. Vem do tempo em que os homens faziam o que queriam e com quem bem entendessem e as mulheres eram de sua posse. O mundo mudou e precisamos atentar para mudarmos da melhor maneira. Ao invés das mulheres caírem de boca nessa igualdade e colecionarem amantes, seria muito mais honesto a gente rever todo este sistema com cara de tecnologia ultrapassada.

 

 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.

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