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O fim da paquera por pager: #ripBIP

Lia Bock

19/12/2018 05h00

(iStock)

Hoje me deparei com a notícia de que a última operadora do serviço de pager no mundo encerrará sua operação. Me bateu uma certa nostalgia. Não só por ver o tempo passar, mas também por pensar que muita gente não sabe pra que serviu o pager ou acha que ele era uma ferramenta exclusiva dos médicos.

Não, meus caros. Teve muita paquera por bip antes do Instagram virar a rede social oficial do flerte.

Em meados dos anos 90, quando telefones eram fixos e e-mails ainda não eram uma ferramenta para qualquer mortal, os pagers chegaram para tremer no nosso bolso e… trazer uma mensagem! Sim, uma mensagem de alguém que ligou para uma central e ditou o texto para o atendente. Uma mensagem com poucas palavras e muitos significados. Tecnologia a serviço do amor.

Não era todo mundo que conseguia. Muitos achavam que faltava uma certa privacidade. Pra mim, os atendentes eram tipo robôs amigos, que escutavam mas não registravam a informação.

Não podia baixaria e nem palavrão. Não preciso dizer que não mandava imagem, né? E safadezas, só criptografadas por uma linguagem rebuscada. Isso fez da paquera por bip um ato romântico. Muitas juras de amor, lágrimas de saudade e uma certa dor (não muita) eram aceitos pelos atendentes.

Pra quem estava acostumado a deixar bilhete na portaria e mandar carta, era tecnológico demais. Muito prático. E lá pra 1997, quando a tecnologia explodiu no Brasil, o must era mandar mensagem e receber mensagem. Sim, porque muita gente demorou a se render ao Bip, restringindo o alcance dessa poderosa ferramenta de flerte. Pena que quando começamos a ousar e os textos ficaram maiores (quabrando a cultura de que bip era descendente de telegrama, só pra coisas rápidas) ele começou a sair de cena. Já era tempo de ICQ e SMS.

Eu amava o meu pager. Um aparelhinho da Motorola mágico, por onde deixei a adolescência definitivamente pra trás e resolvi que sim, usaria a tecnologia a serviço do amor.

#ripbip

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Hoje comentarista na CNN Brasil e editora da plataforma Hysteria, a jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008 no site da revista "TPM", onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como "Isto É", "Veja SP" e "TRIP". É autora dos livros "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro", ambos editados pela Companhia das Letras. É mãe de quatro filhos e também colunista da revista "Crescer".

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre notícias, sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o que mais parecer importante ao universo feminino.

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