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Por que fazemos maratona de seriado?

Lia Bock

04/04/2018 05h00

por quê? por quê?? por quê??? (iStock)

O seriado é lançado. Uma temporada inteira vai para a plataforma on demand, para que, como o nome diz, possamos assistir de acordo com a nossa própria demanda. Lindo. Não tem intervalo, não tem "é na hora da aula" ou "daquele outro programa que eu adoro".

Aliás, esse era o sonho de consumo de todo mundo que acompanhava Profissão perigo (MacGyver <3), Barrados no baile e A Gata e o Rato. Todos seriados transmitidos pela TV aberta em uma época pré-internet e pré-nutella.

Tá. Nosso sonho se realiza e a gente faz o quê? Passa 2 dias internado na frente da televisão (ou pior, do iPad ou computador) assistindo episódio após episódio como craqueiros da tela sem o menor controle de nossos impulsos. "Ah, mas eu adoro!" Ok, viciados em heroína dizem a mesma coisa.

Temos maturidade zero para esse negócio de "nossa própria demanda" no quesito televisão. Ao que parece, somos como crianças diante de um baleiro repleto babando frente à lista de episódios das séries que amamos (ou pior: das séries que apenas queremos assistir).

E o mais louco é que as pessoas se gabam de terem passado 13 (18?) horas seguidas na frente da televisão para liquidar todos os episódios da temporada nova.

Substitua a palavra seriado por tequila, maconha, punheta, sexo, natação, bicicleta ou rabanete e perceba o absurdo dela. Nada, por mais bacana ou saudável que seja, por 13 horas seguidas parece muito saudável, não é mesmo? Por que isso não vale para seriados?

Além disso, cadê aquela esperteza que a gente tinha quando era criança, já quase adolescente, que nos fazia guardar o melhor bombom pra comer por último? Onde foram parar aquelas informações sobre sexo tântrico? Sabemos que gozar é bom, mas trabalhar pelo gozo é melhor. Qual a lógica de, numa sentada, assistir a temporada inteira e… ficar órfão dela?

Não quero ser chata, mas não seria a maratona de seriado uma espécie de ejaculação precoce?

Fora que, sabemos muito bem, esses seriados sempre terminam mas nunca acabam. Desde "Lost" a gente já sabe disso. Então, pra que correr?

Lanço aqui uma proposta de seriado slow. Degustando, curtindo, pensando, desejando. Aproveitando os momentos em frente da TV e também aqueles em que não estamos, mas gostaríamos de estar. Voltemos a curtir a vontade de algo e não apenas o algo em si.

Mas desligar a TV é muito difícil? Lembra da palavra heroína e mostre que você é capaz de controlar seu corpo. '-)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Comentarista na CNN Brasil, a jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008 no site da revista "TPM", onde foi também editora-chefe. Passou por publicações como "Isto É", "Veja SP" e "TRIP". É autora dos livros "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro", ambos editados pela Companhia das Letras. É mãe de quatro filhos e pode ser encontrada no Instagram @liabock e no Twitter @euliabock

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre notícias, sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o que mais parecer importante ao universo feminino.

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