Lia Bock

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Você finge que não me trai e eu finjo que não ligo

Lia Bock

10/08/2017 04h00

(Ilustração: Getty Images)

Quando você já namorou, casou, separou – às vezes casou novamente e separou mais umas tantas – os novos relacionamentos vão ficando mais complexos. Tem filho, ex-marido, ex-sogra, a conta conjunta na Netflix e, o principal, muitas marcas e calos daquelas relações que nos preencheram por tanto tempo.

Isso, geralmente, é dos dois lados. Haja história pregressa! É aquele sabor gostoso de um amor maduro, mas que, às vezes, tem um amarguinho de fundo.

A parte boa é que ninguém mais é inocente e podemos usar nossos erros como referência para não cair nos mesmos buracos, certo? Quase. A verdade é que a maioria de nós é humana demais para conseguir evoluir tão rápido. E o que acontece é que esses casais da repescagem vivem problemas quase tão complexos quando encaixar o final de semana sem as crianças.

É muito comum que esses pares que vivem um a amor “com sabor de fruta mordida” criem regras para evitar lugares incômodos em que outrora já entramos e não foi nada legal. (Alô, ciumentos! Alô, loucos por senhas alheias! Alô, turma do casamento aberto!). Mas o que eu vejo acontecer com frequência é a galera criar regras que o parceiro não tem a menor condição de cumprir.

Pode isso, Arnaldo? Cadê o fair play? Ou pior: tem gente por aí que cria regras que eles mesmos não conseguem cumprir. Aí não adianta! A regra é clara: regra demais não funciona. E reconhecer os limites é uma evolução da espécie. Reconhecer limites é amor.

Marido esportista pediu pra gata parar de beber. Conseguiu o quê? Ela bebe escondido. Esposa do casamento aberto pediu pro gato não pegar ninguém se ela não estivesse junto. Conseguiu o quê? Ele pega escondido. Daí, danou-se.

Toda aquela experiência, toda aquela magia do casal curtido em relações preexistentes , vai tudo por água abaixo. Por quê? As regras são apertadas demais. E acabamos todos sofrendo do complexo de inadequação de Alice: ora grande de mais para a porta, ora grande de menos para pegar a chave em cima da mesa.

Uma das frases mais bonitas que eu já ouvi foi “prenda o outro com a liberdade que você dá a ele”. Eu sei que é difícil. E às vezes dói de leve porque fomos ensinados a controlar, a saber o que acontece. Fomos condicionados a propor e a (des)cumprir regras. Tá.

Mas o que acontece quando percebemos que ninguém cumpre as porras dos combinados? Vamos seguir fingindo que você não faz e eu não vejo? Vamos seguir fingindo que eu não te podo e você não se sente castrado?

Ah, não, né? Bora alinhar maturidade com sabedoria. Bora se apegar na liberdade regada a confiança. Se tem uma coisa que a turma da repescagem já aprendeu é que quanto mais a gente aperta, mais o outro escapa e claro: não existe poção mágica que nos faça adequados às situações.

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a publicar os textos sobre relacionamento que escrevia desde a adolescência em 2008, no site da revista TPM, onde se tornou redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. É autora do livro "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)". Já morou em Pirenópolis e em Londres. Nasceu em 1978 e é mãe de dois meninos.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.

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