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Lia Bock

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Feminazi, não! Pode chamar de femininja

Lia Bock

2023-06-20T17:04:00

23/06/2017 04h00

Ilustração: Orlando/UOL

Outro dia, num conversê com a Titi Müller, ela soltou o termo "femininja". Uau! Um mundo se abriu pra mim. Gente, somos todas femininjas! Mulheres munidas de discurso, atitude paciência (ok, as vezes falta um pouco) mas superdispostas a discordar publicamente de misóginos, machistas e desinformados no geral. Esse negócio de chamar as moças que prezam por igualdade de "feminazi" é intriga de oposição sem argumento. Pense: estamos muito mais para Tartaruga Ninja e samurais do que para Gestapo.

É preciso muito ensinamento do sr. Miyagi para explicar ao boyzinho no bar que duas mulheres juntas não estão sozinhas – elas estão uma com a outra. É preciso o bom humor do Kung Fu Panda para não dar na cara de quem perdoa o marido traidor e culpa a "vadia que deu em cima dele".

Veja, se fôssemos mesmo feminazis, já teríamos aniquilado do planeta essa parcela obtusa da população que enxerga notas de nazismo onde há apenas um pedido por igualdade. Porque, se não me falha a memória (minha família é judia, beijo!), os nazistas eram bons mesmo de aniquilamento sumário, certo? E isso não acontecia com discurso.

Vocês que chamam as minas aguerridas de feminazis devem ser os mesmos que perguntam "cadê as feministas?" com o intuito de dizer que não defendemos a todxs de forma igual. E onde será que estamos? Não posso falar pelas outras, mas eu, no caso, estou no meu escritório, finalizando três trabalhos ao mesmo tempo e olhando o relógio para não perder a hora de buscar as crianças na escola. Hoje tô meio femiloki: de crocs e penhoar, mas às vezes tô mais femigata, de bota de salto. Varia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.