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Se Olavo de Carvalho fosse uma criança, estaria de castigo

Lia Bock

12/12/2019 04h00

Olavo de Carvalho (Vivi Zanatta/Folhapress)

Dá pra confiar numa pessoa que se intitula pensadora e ataca mulheres usando adjetivos como velha e feia?

Maturidade é uma das coisas que adquirimos com os anos, responsabilidade é uma coisa que adquirimos com vivência e respeito a gente aprende na escola (do fundamental à pós-graduação). Por isso, quando um ser humano que já deixou a infância pra trás usa de argumentos infantis para agredir uma mulher cai (ou deveria cair) automaticamente na vala das pessoas não confiáveis.

E pode ser o presidente da República, um apresentador de televisão ou o guru da geral: quando usa argumento infantil perde toda a credibilidade angariada ao longo da vida.

É como o professor que não tem paciência com criança ou o mediador que deixa o sangue subir a cabeça. Tem coisas que derrubam de tal forma a credibilidade de alguém que fica difícil seguir confiando.

Por isso, é um pouco assustador que a boçalidade de Olavo de Carvalho ao agredir a jornalista Vera Magalhães (nova apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura) chamando a de "véia", seja encarada como engraçada quando, no fundo, é apenas patética.

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E aqui não tem nada a ver com ser politicamente correta, é apenas uma questão de lógica. Se a gente deixa a criança de castigo quando ela xinga, se tem conversa seria quando ela desrespeita alguém, por que rimos quando um adulto faz o mesmo?

Não é só na infância que a gente deve respeitar as pessoas e ser educado. É a partir da infância, se estendendo para toda a vida. Taoquei?

Pensem, o que vocês fariam se um filho olhasse na cara de uma senhora na padaria e dissesse: "Essa véia está na nossa frente?" Primeiro ia bater uma vergonha enorme e, depois, repreenderíamos de alguma maneira (alguns de forma mais dura, outros menos), mas jamais deixaríamos passar batido e, em hipótese alguma, daríamos risada.

Pois o mesmo vale para Olavo, uma pessoa que insiste em recorrer a argumentos infantis.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.

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