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Lia Bock

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Os celulares estão preparados para a reta final das eleições?

Lia Bock

2023-10-20T18:04:00

23/10/2018 04h00

(iStock)

É tanto vídeo, tanto meme, tanto textão, que está impossível controlar a bateria do celular. Às vezes nem chegou a hora do almoço e o smartfone já começa a respirar por aparelhos.

Toca receber, ler, assistir ou escutar as News. Na sequência é preciso checar se as News são verdadeiras. Pra daí, espalhar, quando forem verídicas, ou dedicar algum tempo em combatê-las, quando forem falsas. E quanto mais tempo você dedica, mais fake news aparece. Uma loucura.

E dá-lhe discussão no WhatsApp. Dá-lhe comunicação não violenta para converter alguns votos. Dá-lhe ler só pra sofrer um pouquinho. Depois, é preciso trocar mensagens com os mais próximos para lamentar as notícias e, claro, injetar um pouco do ânimo naquele grupo que anda silencioso demais.

Já não era pouco o tempo que a gente ficava no celular. Agora, se você vive no planeta Terra, o dedilhar na telinha aumentou bem mais do que a carga de uma bateria pode suportar.

Haja andar com o carregador no bolso ou sair que nem um viciado atrás de um fiozinho emprestado por alguns minutos. Estar desconectado neste pré-segundo turno é a pior versão do FOMO (fear of missing out). E se sair uma nova pesquisa IBOPE? E se tiver mais alguma denúncia ou ocorrência? Não saber é sofrer.

Os celulares definitivamente não estão preparados para a derrocada da democracia. Para o mundo pós-Cambridge Analytica. Para eleições com milhões de gastos exatamente para nos manter apavorados e plugados.

Nesta nova era, onde somos guiados pelo medo, é preciso estar sempre atento, sempre alerta e com bateria. É preciso ter um carregador portátil, eletricidade e estar em dia com a troca da tela quebrada. O celular virou nossa tábula de salvação, nosso telegrama portátil, praticamente um órgão de nosso corpo diretamente ligado com as eleições. A sensação é a de que se a bateria acabar, não conseguiremos respirar por muito tempo e neste exato instante a democracia morrerá.

Eu não sei se o celular pode nos salvar. Mas tenho certeza que ele pode mostrar o nosso próprio naufrágio em câmera lenta. Pra que serve isso? Realmente não sei. Mas vamos precisar de bateria se quisermos assistir.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.