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Lia Bock

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Estratégia do amor: um é pouco. Dois é bom

Lia Bock

04/09/2018 04h00

(iStock)

Sempre que uma amiga (ou amigo) vem me contar que está muito animada com o date novo eu comemoro, faço as perguntas básicas (idade, sobrenome para stalkear nas redes, filhos, divórcio recente e afins) e depois emendo: "ótimo, agora só precisa arrumar mais um".

Não é que eu seja adepta do amor grupal em qualquer circunstância, mas o meu instinto sempre diz que quando jogamos muita energia e expectativa em cima de alguma coisa, a chance da gente achatá-la com nosso próprio peso (e amor) é grande.

Claro que isso vale mais para os cancerianos e carentes afins, mas a verdade é que foco único em relação que está começando tem bem mais chance de fazer azedar do que de fazer deslanchar.

Não são raros os casos em que uma dupla que poderia se curtir por um longo período, fazer um monte de coisas juntos e ter até planos mais sólidos se esborracha na intensidade de uma das partes. Muitas vezes o outro, mesmo estando a fim, puxa o freio numa nítida manobra automática, fruto de uma mistura de bom senso com medo.

Óbvio que é muito mais legal ver a galera se jogar de cabeça e viver a vida em sua intensidade máxima (don't tell me about it). Eu sou desse time. Mas não é sempre que o mundo lá fora está preparado para esse caminhão turbo de sentimentos. Por isso, se você não pode vencê-los, junte-se a eles.

E isso significa dividir seu amor (sua atenção, suas mensagens de áudio, vontade de dormir agarradinho e seu sexo) com mais de uma pessoa. Os mais românticos ou caretas vão torcer o nariz, eu sei. Mas a verdade é que é tudo parte da estratégia. Quase que uma autoproteção contra si mesmo. Porque casinho não é namorado, né gente? É preciso uma certa parcimônia para não afugentá-los com excesso de planos e quereres.

"Mas as pessoas não conseguem se controlar? Não sabem viver sozinhas?", alguns podem questionar. Olha… às vezes a gente não sabe ou esquece momentaneamente. E tudo bem também. Nem todo mundo sabe tudo o tempo todo, não é mesmo?

Eu já me peguei dizendo para o amigo: "não escreve pra ela! Escreve pra qualquer outra mulher no planeta, sai com uma gata nova do app, toma um remédio pra dormir, mas não escreve!". É preciso estratégia no jogo do amor e nem sempre ela é elegante como baixar uma canastra no buraco. Às vezes a tática tá mais pra pedir truco no blefe mesmo.

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a publicar os textos sobre relacionamento que escrevia desde a adolescência em 2008, no site da revista TPM, onde se tornou redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. É autora do livro "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)". Já morou em Pirenópolis e em Londres. Nasceu em 1978 e é mãe de dois meninos.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.