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Lia Bock

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#adote.um.hater

Lia Bock

24/07/2018 04h00

(iStock)

O mundo precisa de LOVERS.

Segundo o dicionário de língua inglesa, hater é um inimigo, uma pessoa que detesta profundamente alguém ou algo. Em Português, a palavra ganhou uma conotação mais específica. É usada para categorizar aquelas pessoas que elegem um inimigo online e passam a destilar ódio e agressões naquela direção. É algo tão personalizado, que costumamos trazê-los pra perto de nós, chamando-os de "meus haters". Quase parte da família. Aquele setor cuja as ideias não batem muito com as nossas, mas com o qual convivemos resignados.

Seria ok se, muitas vezes, não fosse opressor e ameaçador. Seria ok, se o que viesse em nossa direção fossem apenas argumentos contrários aos nossos. Mas não, na grande maioria das vezes, além dos argumentos nos quais acreditam e o detalhamento do que discordam, os haters enviam agressões e ameaças.

No fundo, a maioria das pessoas que tem vida online pública já está acostumada com isso e entre não ler e não se abalar com o que lê, segue firme escrevendo ou gravando seus vídeos.

Mas me peguei aqui questionando minha resignação. Não porque eu queira medir forças com ninguém, mas porque vejo dois lados opostos da moeda que nunca se encontraram. De um deles, os críticos ferrenhos e agressivos e, do outros, os fãs que adoram e celebram. Só que, infelizmente, os fãs (que podemos chamar de lovers pra ornar) costumam ser mais discretos do que os haters. Escrevem no privado e compartilham o conteúdo de forma entusiasmada para sua rede pré-selecionada. Enquanto nos comentários do texto ou vídeo em questão, agressões, ódio e críticas nada maduras como "você é feia e recalcada" se proliferam.

Lendo os comentários do texto de uma colunista que adoro, me peguei pensando: meu Deus, alguém precisa responder a essas pessoas! Se não, fica parecendo que só existem elas no mundo! E neste instante me veio a hashtag na cabeça: @adote.um.hater (que, claro, já foi usada algumas vezes por aí).

A ideia é simples: você, que gosta e acompanha algum conteúdo online e costuma se deparar com comentários agressivos e fora do tom, RESPONDA! Perca cinco minutos da sua vida para colocar, sem agredir, que esse tipo de abordagem não é legal ou até mesmo dar aquela explicada no óbvio e deixar registrado para posteridade que os haters podem até ser barulhentos, mas contra fatos e lovers não há nada a ser feito.

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.