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Lia Bock

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Qual o mal que acomete os homens quando se juntam em torno do futebol?

Lia Bock

2020-06-20T18:11:26

20/06/2018 11h26

Crédito: iStock

Brasileiros bêbados e animadinhos protagonizam vídeo machista constrangedor. A torcida mexicana chama o goleiro alemão de bicha. A Fifa fala em multa, as feministas (os seres de bom senso e a Internet) vão à loucura, a mídia procura os culpados, entidades profissionais das quais os sujeitos fazem parte soltam nota de repúdio. Os memes explodem.

Em seis dias de Copa do Mundo, o cenário que vemos é apenas o de sempre, que numa linguagem bem coloquial pode ser resumida em: homem idiota fazendo idiotice. Porque o setor futebolístico da nossa sociedade ainda é dominado pela macharada e o que vemos quando eles se reúnem fica entre violência gratuita e machismo deslavado.

Claro que não são todos os homens que fazem esse tipo de coisa – ainda bem, evoluímos – mas os que fazem produzem estragos devastadores.

É constrangedor. É desolador.

Porque ao mesmo tempo em que a luta por direitos iguais, diversidade e respeito toma força no mundo, vemos que quando o topo da cadeia alimentar (homens brancos de classe média alta) se reúne o que sai é vazio e bobo como "nos velhos tempos".

Seriam esses encontros uma espécie saudosismo desnecessário? Porque eles sabem o que é respeito às mulheres e não querem que suas filhas sejam vítimas de violência, mas quando vão juntos à Copa, querem mais é cantar como ogros infantilóides.

E nos grupos de WhatsApp dos caras que ficaram por aqui, a coisa não é muito diferente. Dale baixaria machista, homofóbica e abobalhada. O que acontece com os homens quando eles se juntam? Será que testosterona agrupada apaga o raciocínio, a ética e o termômetro do bom senso dos sujeitos?

Tá mais do que na hora dos rapazes de boa índole que erram a mão em grupo ligarem lé com cré e entenderem que é assim que começam as listas de TOP 10 que já levaram meninas ao suicídio. É assim que começam os linchamentos que matam gays e trans. E é assim que começam os estupros coletivos. Num agrupamento masculino débil e inconsequente.

Rapazes, o mundo está caminhando. Não fiquem pra trás. Não se apeguem ao corporativismo masculino vazio. Aqui adiante o mundo é bem mais bacana e mais livre. Venham!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.