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Lia Bock

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Ciúme: a culpa é de quem?

Lia Bock

13/06/2018 04h00

(iStock)

Tem gente que acha ciúme uma coisa fofa. E, vá lá, pode até ser que nos casos de pequeno porte seja mesmo. Mas na maioria esmagadora dos ocorridos, o sentimento é uma merda e a busca pelos motivos que, supostamente, o justificam, é pior ainda.

O dicionário explica ciúme como: "um sentimento negativo provocado por receio ou suspeita de que a pessoa amada dedique seu interesse e/ou afeto a outrem". Deixa por tanto no ar se há motivo ou culpa no cartório. Mas na vida real, toda vez que a gente é acometido por ciúme temos a certeza de que o outro está, no mínimo, delegando uma atenção que gostaríamos de ver despendida conosco, para "outrem".

E às vezes a gente até tem razão. Mas, sejamos justos com a humanidade, na maioria dos casos, ciúme é um problema nosso. Tem a ver com um buraco que abriu-se na nossa própria vida e que, não sei por que, achamos que o outro deve suprir.

Muitas vezes ele vem de uma insegurança que não tem a ver com o casal, e sim, com vácuos psicológicos não trabalhados, autoestima fora do prumo ou coisas como uma gravidez delicada de gêmeos. Esse é o meu caso, mas poderíamos colocar aqui, uma demissão não esperada, falta de clientes no escritório, filhos com problemas sérios na escola ou um chefe workaholic.

Pode reparar, a insegurança bate e traz junto, quase que imediatamente, este sentimento que insistimos atribuir a "outrem". Porque, claro, é bem mais fácil olhar para o leite derramado no fogão do que para o fogo alto que o fez ferver.

Aí a gente pode entrar nos casos mais patológicos. Quando maninho tem ciúme dos colegas de trabalho, do professor de inglês, do marido da irmã, do vizinho, dos seguidores do Twitter, das curtidas no Instagram e da roupa escolhida para o almoço de domingo numa tarde de verão cearense não é porque você é a pessoa mais saidinha da cidade. Óbvio. É porque ele tá com algum problema de fundo (que pode ser de hoje ou da vida inteira) e não tá querendo ou podendo ver.

Só que chegar nesta conclusão não é fácil. Aliás, é difícil pra caramba. Existe uma certeza cega no ciúme que é capaz de convencer até quem está em volta de que sim, temos razão. As amigues são rainhas em cair nela conosco.

Daí vocês questionam, mas e se o boy for mesmo um salafrário? Um traidor compulsivo ou a mina estiver mesmo tendo um caso com o vizinho? Bom, gente, daí não é ciúme, né? É sexto sentido e tomara que seja solucionado rápido. Mas atente para o fato de que se essa suspeita nunca se confirma, o problema não está no outro. Mas em você! Lide com isso: existe uma chance imensa de você se tornar a pessoa mais chata da galáxia.

Porque se tem um troço que é insuportável é gente que quer sempre jogar a culpa pro outro. Tipo transformando ciúme em acusações e "outrens "afins.

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a publicar os textos sobre relacionamento que escrevia desde a adolescência em 2008, no site da revista TPM, onde se tornou redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. É autora do livro "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)". Já morou em Pirenópolis e em Londres. Nasceu em 1978 e é mãe de dois meninos.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.