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Lia Bock

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Dia dos Namorados: rosas não disfarçam o cheiro da hipocrisia do amor

Lia Bock

10/06/2018 04h00

(iStock)

O Dia dos Namorados vem chegando e com ele aquela enxurrada de corações vermelhos, flores e (novidade) campanhas e marcas se atualizando, mesmo que discretamente, no que diz respeito à diversidade. Frio, clima de amor e um monte de mozão matutando o que dar de presente. <3

Seria lindo se não fosse a maldita negatividade pela qual sou acometida nesta época do ano. Que preguiça que eu tenho do dia 12 de junho.

Só me vem em mente a hipocrisia das pessoas. Porque convenhamos, né gente: não adianta fazer cesta de café-da-manhã no Dia dos Namorados e mandar bomba ou intimação judicial depois da separação. Não adianta dar vale-massagem e rosas chilenas e quando o namoro (ou casamento) acaba não dar bom dia e só ligar pra reclamar das coisas que (humanamente) o outro esqueceu de fazer.

Porque amar e ser bacaninha quando a vida segue ao som de "só love" é fácil. Eu quero ver é a galera aplicar esse amor nos momentos de dilaceração do casal.

E não venham me dizer que não dá. Porque dá sim! Tá cheio de ex-casal por aí que se respeita e se tolera em nome de um amor que já não existe mais, mas nos preencheu e alimentou por tanto tempo.

Porque amor é que nem conta bancária de trabalhador autônomo: não é sempre que entra alguma coisa, mas todo santo mês sai a mesma quantia. Sim, tô dizendo que precisamos ter nossas reservas pessoais, que precisamos estocar amor nos momentos de bonança pra depois, na hora do caos e do pega-pra-capá conseguirmos ter empatia com o passado e com o outro.

"Mas Lia, você vai vir falar de ex, quando o assunto é Dia dos Namorados? Que anticlímax….".

Pra mim, anticlímax é ignorar a realidade e viver da hipocrisia amorosa. É se derreter em presentes e chamegos e depois se vingar postando foto da ex nua. Anticlímax é postar declaração de amor no Instagram este ano e no ano que vem chamar o outro de filha-da-puta na frente das crianças. É não saber que o amor se transforma e se renova e que precisamos suspirar seus altos e baixos com dignidade, paciência e muita boa vontade.

E você, que ganha sempre aquela lingerie maravilhosa ou aquele acessório de corrida que tanto queria, repare bem como esse seu atual trata a ex ou o ex. Porque da onde só sai patada, termos jurídicos e ódio nem rosa chilena consegue disfarçar o cheiro da podridão.

O próximo na fila dos mal tratos, pode (deve) ser você.

 

 

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.