Lia Bock

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Como chocar a sociedade no Dia das Mães

Lia Bock

12/05/2018 04h00

(iStock)

Eu juro que não era minha intenção. Só fiz meus planos de acordo com a dinâmica familiar e meus princípios. Este é o final de semana dos pais e eu originalmente estaria sem as crianças. Tenho alguns trabalhos pra entregar e armários para arrumar – preciso fazer lugar para as bebês que chegam em breve.

Tendo isso em vista, mantive os planos e, portanto, estarei sem meus filhos no Dia das Mães.

O pessoal chocou.

“Como assim você vai passar o Dia das Mães sozinha?”. Veja, eu não disse isso. Vou passar o dia acompanhada de um gato charmoso que algumas pessoas costumam chamar de marido. “Coitados dos seus filhos. Vão se sentir os diferentões”. Truco: se a gente não fica enchendo eles com aquele papo sobre a importância desse dia, eles por certo não vão nem reparar. “Eu achava que você era esquisita.

Agora tenho certeza!”. Tá tudo bem. Minha família também me acha estranha e a gente sobrevive a isso.
Mas gente, vocês juram que esse tal dia mexe assim com os sentimentos de vocês?

Os judeus não comemoram o Natal e ninguém reclama. Os católicos não comemoram o Pessach e tá tudo certo. Porque todo mundo tem que comemorar o Dia das Mães?

E não é que eu seja contra. Gosto de um chamego especial e adoro ganhar presente. Mas, sinceramente, não precisamos desse dia pra nenhuma dessas coisas, né? E pra falar a verdade tenho pavor das declarações sobre “as melhores mães do mundo” que rolam nas redes sociais no segundo domingo de maio. Aliás, taí um dia pra fazer detox de Facebook.

Mas, o povo chocou num tanto que eu comecei a dar desculpa. Primeiro eu disse que ia ganhar o final de semana livre de presente de Dia das Mães. Complementei dizendo que isso vem com massagem, cinema de adulto e dormir até tarde. Quase convenci meus interlocutores. (Mas causei uma invejinha!)

Depois entendi que o que estava faltando era drama materno e então disse que ia passar o tal dia curtindo as duas bebês. “Vou arrumar o quartinho, fazer fotos especiais da barriga, almoçar com a sogra e jantar com a minha mãe”. Quase tudo mentira. Só a parte da sogra e da mãe são reais.

E daí, além de uma péssima mãe insensível, virei também mentirosa.

A verdade é que eu não ligo muito pra esse dia mesmo. E que domingo passado também almocei com a minha sogra e jantei com a minha mãe. Aqui em casa gostamos desses programas e não precisamos de um dia específico em maio para optar por eles.

Agora, me digam vocês, além de um dia mega comercial que reaquece o comércio local, o que há de tão especial no Dia das Mães?

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a publicar os textos sobre relacionamento que escrevia desde a adolescência em 2008, no site da revista TPM, onde se tornou redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. É autora do livro "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)". Já morou em Pirenópolis e em Londres. Nasceu em 1978 e é mãe de dois meninos.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.

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