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Lia Bock

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Você acha que seu WhatsApp te persegue? Imagina o obstetra!

Lia Bock

2030-04-20T18:16:14

30/04/2018 16h14

(iStock)

Que o Whats é o céu e o inferno, a gente já sabe. Entre mensagens maravilhosas, nudes enriquecedores e aproximação com pessoas queridas, sempre tem um excesso de mensagens inúteis nos grupos das escolas (da ginástica, do trabalho, dos amigos, da rua…), vídeos inadequados que pipocam das mais variadas fontes, promoções de lojas que você nem lembrava que tinha ido e correntes entrelaçadas com fake news – geralmente nos grupos e subgrupos da família.

Essa é a nossa vida no zap. E assim, seguimos resignados, silenciando, bloqueando e desligando o celular pra ir ao cinema, viajar, trepar e dormir. Isso, claro, se você não for um obstetra.

Por definição, o médico especialista em obstetrícia é aquele que "se ocupa da gravidez, do parto e da evolução da saúde feminina no período imediatamente subsequente a ele". Ou seja, é o cara ou a mina que pode ser tirado de qualquer atividade (por mais importante ou meditativa que seja) para socorrer uma grávida prestes a dar à luz.

Obstetra é por designação aquele que jamais desliga o celular. Meus pêsames.

Porque a pessoa trabalha com grávidas e emergências afins, mas o celular toca para as mais variadas coisas, né? Do vizinho avisando que perdeu a chave e vai pular o seu muro depois de uma balada, àquela paciente carente que troca a noite pelo dia e não repara que (ops) são mais de 3h da manhã. Foda. Porque sempre pode ser uma grávida dando à luz no Uber e sempre pode ser aquela tia que acorda às 5h30 e se depara com uma corrente ma-ra-vi-lho-sa.

E mesmo as grávidas: todos sabemos que elas perdem um pouco o filtro. Some isto à leitura constante de textos que além de um monte de baboseiras, sempre dizem: "converse com seu médico", "pergunte ao obstetra", "não tome nenhuma medicação sem consultar um especialista". Amores, isso não significa que é pra mandar mensagem a qualquer hora, ok? Pense sempre que antes de ser o "seu obstetra" esse médico é uma pessoa.

Eu me compadeço. Esse ser humano já tem uma vida puxada: tem que marcar férias com 9 meses de antecedência, sacrificar Natal, Réveillon, formatura dos filhos ou simplesmente aquela ida descompromissada ao mercado; e, além de se responsabilizar por uma vidinha que vai mudar a vida de uma família inteira, tem que estar 24h ligado no celular. Sério. Dá muita dó.

Às vezes, do alto da minha gravidez, me pego pensando: quem escolhe ser obstetra na vida, minha gente?!

E pode ter certeza que o dia em que a bateria acaba ou que o celular cai na privada é bem aquele em que uma emergência vai chegar. Porque Murf vem pra todo mundo; pros obstetras, ele vem um pouco mais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

A jornalista Lia Bock começou a blogar em 2008, no site da revista TPM, onde foi também redatora-chefe. Passou por publicações como Isto É, Veja SP e TRIP e foi colunista de sexo da GQ. Hoje, é editora da plataforma Hysteria e produtora de conteúdo freelancer. É autora de "Manual do Mimimi: do casinho ao casamento (ou vice-versa)” e do "Meu primeiro livro". É mãe de quatro e sócia do ex marido no canal Ex-casados.

Sobre o blog

Um espaço para pensatas e divagações sobre sexo, filhos, coração partido, afetações apaixonadas e o espaço da mulher no mundo.